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Ansiedade não é frescura: tipos, sintomas e tratamentos da doença

Ansiedade não é frescuraMais de 60% dos brasileiros sentiram que a sobrecarga trouxe impactos para a sua saúde mental nos últimos tempos. E quando falamos sobre mulheres esse número é ainda maior: em uma pesquisa feita pelo Zenklub, 76% das entrevistadas apontam que os sintomas da ansiedade passaram a fazer parte da sua rotina depois da pandemia.

Pois é, e mesmo com o impacto tão negativo na vida de quem sofre e apesar de virar trend de TikTok, de receber a atenção de veículos de comunicação e de estar presente até em debates de filmes e séries famosos, a ansiedade ainda é cercada de estigmas e de dúvidas. Vamos entender um pouco mais juntas?

Ansiedade não é frescura, mas o que a ansiedade é?

Para entender de uma vez por todas que ansiedade não é frescura, precisamos antes de mais nada definir essa doença.

Segundo a OMS, o Brasil é o país mais ansioso do mundo, com 18,6 milhões de pessoas sofrendo da doença. Esse número, além de assustar e de mostrar (mais uma vez) a urgência de tratar a ansiedade com mais atenção, aponta a importância de se entender o que ela de fato é. 

Por isso, vamos, juntas, compreender quais são os tipos de manifestação dessa condição, bem como sintomas e tratamentos contra a ansiedade. Continue a leitura!

Considerada também como uma forma mais subjetiva do medo, a ansiedade pode se manifestar de duas formas: patológica (aí que moram os transtornos) ou só parte de um estado emocional

Quando é parte de um estado emocional (“ah hoje estou me sentindo ansiosa porque tenho uma entrevista de emprego”), a tal da ansiedade pode nem ser de todo negativa. Esse sentimento chega a ser até importante e serve para nos ajudar a enfrentar situações de estresse ou de perigo.

O problema é quando a ansiedade do dia a dia passa a interferir no nosso cotidiano, nos impedindo de realizar tarefas e afetando nosso bem-estar geral. Se naquele sábado à noite você deixa de sair de casa para aproveitar com seus amigos porque está angustiada e isso se repete com frequência, é provável que esteja diante de um caso patológico dessa condição.

Por aqui vamos focar na ansiedade patológica, ou seja, os transtornos de ansiedade, ok?! Aquela ansiedadezinha do dia a dia a gente guarda pra outro papo. 

Vamos falar sobre tipos de transtorno de ansiedade?

Os chamados transtornos de ansiedade, ou seja, aqueles que representam maiores problemas para o dia a dia da pessoa atingida e que podem ser tratados com diagnóstico de um psiquiatra, podem ser divididos em:‍

  • Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG): um distúrbio que inclui ansiedade excessiva e preocupação com atividades ou eventos comuns, como saúde, família, dinheiro ou trabalho. Em diversos casos, o TAG pode afetar a rotina da pessoa, atrapalhando no trabalho, nos estudos e nas relações pessoais. 
  • Ansiedade social (ou fobia social): transtorno em que a pessoa se sente ansiosa ou com medo de enfrentar situações sociais. Esses sentimentos são causados por medo de ser julgado, de estar incomodando ou de ser considerado estranho. É a forma mais comum de ansiedade.
  • Agorafobia: ansiedade de estar em locais ou situações em que possa ser difícil ou embaraçoso ir embora ou onde a pessoa sinta que está desprotegida. Alguns exemplos dessas situações são: ficar em locais cheios de gente, como shows, usar o transporte público e até mesmo sair de casa sozinho. 
  • Mutismo seletivo: mais comum em crianças, iniciando antes dos 5 anos de idade. É uma situação onde a pessoa sente dificuldade de se comunicar da forma esperada com pessoas que não são muito próximas, como na escola ou reuniões de família com avós e tios. Normalmente está associado à ansiedade social.
  • Fobias: medo ou ansiedade que acontece diante de alguma situação ou de algum objeto específico. Alguns exemplos comuns são o medo de palhaços, de aranha, de altura, de andar de elevador, entre outros.
  • Ansiedade de separação: medo ou ansiedade de sair de casa ou de se separar de figuras de apego. Além do medo de ficar sozinho, é comum que a pessoa também sinta a preocupação de que aconteça alguma coisa ruim com ela ou com alguma figura de apego, impedindo que se reencontrem. 
  • Transtorno de Pânico: é diagnosticado em pessoas que apresentam ataques de pânico espontâneos e inesperados. Como essas manifestações são imprevisíveis, muitas pessoas podem apresentar ansiedade intensa entre os episódios.

Tá, mas quais são os sintomas da ansiedade?

A ansiedade patológica, também chamada de ansiedade tóxica, pode ser percebida por alguns sintomas como:‍

  • Cansaço frequente por causa do pico e da queda de energia;
  • Sensação de nervosismo, irritação e de que chegou no seu limite;
  • Sensação de perigo iminente, pânico ou desgraça;
  • Não conseguir relaxar, mesmo quando as coisas vão bem;
  • Coração acelerado;
  • Respiração rápida (hiperventilação), suor excessivo e até tremores;
  • Dificuldade de concentração;
  • Problemas para dormir;
  • Problemas gastrointestinais.

Importante: conhecer os sintomas é fundamental para entender que ansiedade não é frescura, mas, para que haja um diagnóstico da doença, você precisa procurar um médico. ‍

Ansiedade não é frescura, mas como tratá-la?

“Tá, mas qual médico trata ansiedade?”, você deve estar se perguntando e a Oya chega pra te dar a resposta: geralmente, esse tipo de transtorno é tratado com um psiquiatra (que é quem faz o diagnóstico e fornece as receitas dos medicamentos) e com um psicólogo (que oferece ajuda terapêutica).

É importante destacar que outros profissionais de saúde podem ajudar a chegar nesse diagnóstico, já que alguns sintomas comuns dessa condição (como dores no estômago ou desarranjos intestinais) podem levar a pessoa atingida a buscar ajuda em outros lugares antes. 

Essa dificuldade de reconhecer a doença, aliás, é uma consequência da crença que a ansiedade é frescura.

Além do diagnóstico correto, o tratamento de ansiedade demanda uma combinação de práticas terapêuticas, que podem incluir o uso de medicamentos, a psicoterapia e outras soluções auxiliares, como:‍

  • Exercícios de autoconhecimento: que consistem em anotar seus pensamentos e sensações diante de situações de aflição;
  • Relaxamento progressivo de Jacobson: técnica que parte do controle dos músculos para compreender a diferença entre tensão e relaxamento;
  • Respiração e relaxamento: o que pode ser feito usando técnicas de meditação, úteis para manter a pessoa no presente e também prevenir e amenizar ataques de pânico.

Manter uma boa alimentação e praticar exercícios físicos também são ótimos exemplos de como controlar a ansiedade e diminuir os problemas causados pelos sintomas da doença.‍

Como ajudar alguém que sofre de ansiedade?

Repetimos várias vezes que ansiedade não é frescura porque desmerecer essa condição e tratá-la como algo de pouca importância ou até mesmo fantasioso infelizmente ainda é uma prática comum. Ao ouvir isso, uma pessoa ansiosa pode ter mais dificuldade de encontrar o diagnóstico e ajuda que precisa, além do risco de ter o quadro agravado pela pressão que sente em se mostrar bem e esconder aquilo que está incomodando. 

Em outros casos, por não saber muito bem como ajudar, familiares e amigos podem recorrer a clichês, frases, conselhos vazios como “tenta se acalmar”, “todo mundo sente isso”, “se deus quiser logo passa”. Apesar de carregadas de boa intenção, esse tipo de “ajuda” tende a causar mais ansiedade e piorar a situação. 

Se sua amiga tivesse quebrado o braço, por exemplo, você não iria dizer para ela se distrair da dor até passar, certo? No caso de quem sofre de ansiedade é a mesma coisa: a pessoa ansiosa precisa de ajuda médica. Amigos e familiares podem ajudar com a escuta sem julgamentos, o acolhimento e o suporte nas atividades do dia a dia naqueles momentos de crise intensa.‍

Mulheres são muito mais ansiosas do que homens?

A verdade é que sim, mulheres são as mais afetadas pelos transtornos de ansiedade, mas os motivos para isso são muito complexos e fogem dos estereótipos de gênero. 

A ciência comprova: analisando 48 artigos publicados sobre ansiedade e depressão, pesquisadores da universidade de Cambridge chegaram à conclusão de que o transtorno de ansiedade é duas vezes mais comum em mulheres do que em homens, isso independente de fatores como a classe social, a etnia e a localização. 

Falando especificamente sobre o Brasil, um estudo realizado com pessoas entre 18 e 35 anos de idade identificou que mulheres apresentaram maior prevalência de ansiedade. Entre elas, 32,5% sofrem da doença, um número bastante significativo quando comparado aos 21,3% dos quadros clínicos em homens (isso entre os anos de 2011 e 2014).

Algumas das motivações para isso são: as pressões sociais criadas pelos múltiplos papéis que mulheres desenvolvem, a discriminação de gênero e fatores associados a pobreza, fome, desnutrição, violência doméstica e abuso sexual.‍

Ansiedade, Covid-19 e as mulheres

Ainda pensando em dados, a pesquisa Women’s Forum, realizada pela Ipsos, apontou que a crise do Coronavírus teve um impacto significativo no bem-estar das mulheres. 

No estudo, 3.500 participantes (acima de 18 anos de idade) identificaram, a partir de uma listagem, quais situações estavam vivenciando como consequência da COVID-19. Alguns dos principais achados da pesquisa:‍

  • 59% das mulheres disseram estar com ansiedade, depressão e/ou esgotamento, contra 46% dos homens;
  • 73% das mulheres afirmaram ter medo do futuro, contra 63% dos homens;
  • 49% das mulheres afirmaram não dedicar tempo suficiente para verificar se estão em boa saúde, contra 43% dos homens;
  • 46% das mulheres disseram que sentiam que não tinham ajuda de ninguém, contra 43% dos homens;
  • 46% das mulheres alegaram sentir que faziam mais do que os outros para ajudar as pessoas frágeis ao seu redor, contra 40% dos homens;
  • 52% das mulheres e 55% dos homens concordaram com a frase: “Você não pode ter tudo, se você quiser ser uma boa mãe, você tem que aceitar sacrificar parcialmente sua carreira profissional”.

Com esses resultados, podemos perceber que desde o início da pandemia elas têm sido mais afetadas pelo estresse, pelo medo e pelo sentimento de desamparo do que os homens. Além disso, algumas ficaram mais sobrecarregadas com a casa, os filhos e o trabalho, sofreram com o esgotamento (um exemplo é a fadiga de Zoom), além de terem perdido um pouco da  autoconfiança em alguns aspectos da vida pessoal e social.‍

Ansiedade não é frescura e mulheres precisam de um tratamento adequado

Outra questão muito importante quando falamos sobre ansiedade em mulheres é que o preconceito de gênero também chega até os consultórios. Não é incomum perceber que psiquiatras tendem a diagnosticar depressão em pessoas do sexo feminino com mais frequência do que em homens, inclusive quando os sintomas são idênticos em ambos.

Além disso, a comunicação entre profissionais de saúde e pacientes mulheres pode ser extremamente autoritária em muitos lugares, o que torna a relação difícil e prejudica o tratamento. 

Por isso, caso você sinta que o seu caso não está sendo levado com seriedade ou perceba qualquer forma de preconceito dentro do consultório médico, não deixe de procurar um outro especialista e de relatar o seu caso em espaços de reclamação e recomendação médica.

Para que um tratamento seja realmente efetivo você precisa de medicamentos, de técnicas amparadas pela ciência, mas também de acolhimento, conforto e segurança com o profissional que te acompanha.

Ansiedade não é frescura e pode afetar até a fertilidade

Se você acompanha os conteúdos aqui do blog da Oya, não é segredo que a fertilidade feminina depende de vários fatores, entre eles: idade, frequência e momento das relações sexuais, procedimentos ginecologicos anteriores, estilo de vida,  etc.

Além dessas questões, alguns pesquisadores estão olhando para como a ansiedade e a depressão influenciam também na dificuldade ou facilidade para engravidar. 

Entenda se a ansiedade está afetando sua fertilidade. Agende agora sua avaliação de vida fértil.

Apesar de ainda não termos certeza sobre essa relação, sabemos que hábitos e transtornos associados à ansiedade e à depressão podem ter efeito negativo na fertilidade feminina (e masculina!). 

Isso porque uma vida com muito estresse, inseguranças e sem hábitos saudáveis acaba resultando em irregularidades do ciclo menstrual, alteração ovariana (na produção de óvulos e ovulação e até na diminuição da reserva ovariana), modificações na receptividade do endométrio (onde o óvulo fecundado se fixa para o desenvolvimento do bebê) nas tubas uterinas e útero, entre outras alterações hormonais. 

O assunto pode ser ainda mais delicado para as tentantes, já que essa fase de tentar engravidar costuma gerar muita ansiedade. Só quem viveu sabe, né?! 

Por isso, pensando exatamente em evitar que o estado ansioso evolua para um quadro patológico, é essencial que a futura mamãe tenha acompanhamento psicológico, principalmente se começar a notar alguns sintomas como perda de libido, desconforto na hora do sexo e alterações no ciclo menstrual.

Ansiedade não é frescura e nós precisamos conversar sobre isso!

A ansiedade é uma doença e precisa ser tratada com seriedade, com auxílio médico, com medicamentos e com outras alternativas que tornam a vida de pessoas diagnosticadas mais tranquila e saudável.

É muito importante que a gente continue falando sobre transtornos psicológicos e suas consequências. Vamos continuar o papo? Então vem com a primeira clínica virtual de saúde feminina do Brasil conversar sobre como a depressão também pode afetar a vida e a fertilidade feminina.

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