Mudar o contraceptivo mudou minha forma de ver o (meu) mundo

Sair da pílula foi das decisões mais transformadoras da minha vida. Para mim, me livrar dos hormônios contraceptivos, mais de 8 anos atrás, catalisou um grande despertar pro meu corpo, minhas oscilações, minha ciclicidade. 

Foi naquele momento que passei a ocupar meu corpo por inteiro, entendendo suas nuances, acessando minhas emoções em mais profundidade. Percebi que não sou igual o tempo todo e que a cada ciclo posso experimentar expansão, recolhimento, e ainda usar isso como ferramenta no meu dia a dia. Essas foram algumas constatações que expandiram minha percepção sobre mim mesma e que me levaram em um jornada de investigação profunda sobre o que significa ocupar um corpo feminino. 

Minha libido também despertou. Entendi a minha sexualidade de uma outra forma e tudo isso me fez criar uma grande resistência a qualquer método contraceptivo que utilizasse hormônios. 

Nosso corpo tem ciclos hormonais bem definidos, que tendem a influenciar a maneira como nos sentimos de maneira geral, com impacto significativo no nosso estilo de vida. Em geral, a gente passa por essas mudanças sem saber direito o que está acontecendo, seja por falta de informação, ou porque influências externas, como é o caso da pílula anticoncepcional, alteram o funcionamento desses ciclos. 

Em geral, conhecemos a fase menstrual, que encerra um ciclo e começa outro, e a fase de ovulação, o famoso período fértil; mas entre eles, temos também a fase folicular e a fase lútea. Esses quatro momentos do ciclo hormonal feminino afetam diferentes aspectos da nossa vida, em especial o humor e a disposição. Prestar atenção a eles pode ser uma ferramenta na hora de planejar a nossa rotina, desde o cronograma de atividades físicas até a alimentação.

Fase menstrualFase folicularFase de ovulaçãoFase lútea
Pegar mais pesado nos treinos e exercíciosxx
Sair com as amigas pra se divertirxx
Ver filmes e séries debaixo do cobertorxx
Marcar reuniões importantesx
Tentar engravidarx
Fases do ciclo menstrual: quais são? Como afetam a rotina?

Pouco tempo depois que parei a pílula, decidi que colocaria o DIU de cobre, pois não queria ficar sem um método contraceptivo. Meu fluxo sempre foi intenso e minha adaptação ao DIU não hormonal simplesmente não aconteceu. Foram 6 meses menstruando por 10 dias seguidos, com anemia e muitas dores. 

Decidi retirar o dispositivo em uma ida desesperada à minha ginecologista da época. Optei por ficar sem nenhum método contraceptivo no meu corpo; acho que estava traumatizada (no sentido leigo da palavra) e não queria passar novamente por nada parecido com aquele período de dor, desconforto e muito, muito sangue. 

Foram, então, oito anos só com a camisinha como método contraceptivo. Oito anos entendendo meu corpo, minhas oscilações, minhas diferentes facetas a cada momento do meu ciclo. Mas, também, oito anos de muitas paranoias sobre gravidez, que foram ficando cada vez mais insustentáveis. Envelhecer não torna a possibilidade de uma gravidez não planejada menos assustadora. Pelo contrário, aprofundou meu entendimento que a minha vontade de gestar está guardada para um futuro ainda distante.

No meio dessa jornada de investigação – sobre gestação, maternidade, ciclos femininos  – ter entrado para a Oya, 3 anos e meio atrás, foi um grande catalisador para um aprofundamento do meu conhecimento sobre saúde, corpo e bem-estar femininos e, consequentemente, sobre os diferentes métodos contraceptivos disponíveis. Vivi um processo longo de acomodação da ideia de voltar a usar hormônios, só que desta vez de forma localizada, com o DIU hormonal de baixa dosagem (Kyleena). Em março deste ano, finalmente tomei a decisão de colocá-lo. 

De modo geral, existem apenas dois tipos de DIU: os hormonais (Mirena e Kyleena) e os não-hormonais (de cobre e de prata). As diferenças entre eles estão principalmente no material de que são feitos e na presença ou ausência de hormônios que inibem a ovulação. No entanto, também é possível observar variações nos impactos de cada tipo de DIU na menstruação, e a duração desses dispositivos varia conforme o tipo.

Para realizar essa escolha, é fundamental ter o acompanhamento de uma ginecologista de confiança. Só ela poderá te ajudar a entender qual é o melhor tipo de DIU para o seu caso, levando em consideração suas vontades e seu histórico de saúde e garantindo a sua segurança ao longo de todo esse processo.

Para chegar preparada para a consulta, nosso quiz interativo pode dar as pistas iniciais sobre qual o DIU ideal para o seu perfil!
Tipos de DIU

A inserção foi feita na clínica da Oya, com anestesia local. O principal ponto desta escolha foi a questão do tempo: era mais rápido inserir na clínica do que agendar o procedimento com sedação em um ambiente cirúrgico. Dito e feito: em menos de uma semana estava lá eu em direção ao Itaim para colocar o tão aguardado –  e temido –  DIU. 

Não posso dizer que não senti dor no procedimento, pois estaria mentindo. De fato, foi bem desconfortável, principalmente por eu ter endometriose –  doença que foi descoberta neste dia mesmo. Sim, no momento de verificar via ultrassom a posição do dispositivo, recebi o diagnóstico e a orientação para realizar exames complementares, que confirmaram a suspeita! Mas isso é tema para outra coluna. 

Passado o perrengue da inserção do DIU e um mês de adaptação com cólicas leves que iam e vinham, hoje já sinto segurança em dizer que ter escolhido o DIU hormonal foi a melhor decisão que poderia ter tomado sobre meu método contraceptivo.

Minhas principais preocupações eram: 

  • Continuar ciclando, sentindo minhas oscilações, mês a mês;
  • Continuar menstruando;
  • Não sentir impacto na minha libido.

Dois meses após a adaptação, posso afirmar que todos os pontos foram atendidos com louvor. Estou completamente adaptada ao método, feliz com essa escolha. Me sinto segura. Foi como se tivesse tirado um peso enorme das minhas costas. Aquela preocupação ensurdecedora que me acompanhou TPM sim, TPM não, por todos esses anos, por medo de uma gravidez indesejada, simplesmente desapareceu. 

Sinto que abri espaço mental e emocional para lidar com tantas outras coisas que acompanharam aquela visita transformadora à clínica da Oya, como meu diagnóstico de endometriose (e a necessidade de cirurgia) e o congelamento de óvulos que estou realizando agora. 

Hoje, mais do que nunca, percebo a importância de um aconselhamento personalizado quando o assunto é contracepção, algo que falamos diariamente aqui no blog da Oya e que tive a oportunidade de sentir na pele ao longo deste meu processo. De fato, o DIU de cobre não era uma boa opção para mim, uma pessoa com endometriose. A pílula também não fazia sentido pelos pontos que para mim eram essenciais. 

Ter sido acolhida e ouvida, de verdade, pela Dra. Natalia [Ramos, ginecologista e líder de Cuidados da Oya Care] sobre as minhas necessidades e escolhas inegociáveis fez com que chegássemos a um método que me atende e que me faz muito bem. Cada corpo é único e as generalizações simplesmente não cabem quando o assunto é saúde. Estamos falando de temas importantíssimos, que impactam desde camadas físicas até camadas emocionais profundas da nossa vivência.

E, a cada novo dia, refaço comigo o pacto de colocar minha saúde, meu autoconhecimento e meu bem-estar em primeiro lugar.

Sobre a autora

Maria Carolina Artioli atualmente lidera a estratégia de marketing e comunicação da Oya Care.

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