Giuliana Giordano: “Escolher é um privilégio e uma responsabilidade”

Há quase dois anos recebi uma proposta da empresa onde trabalho para me mudar pra outro país.

Apesar de ser uma grande oportunidade de carreira, a escolha não era óbvia: aceitar a oferta significaria fazer uma mudança de 360 graus na minha vida, deixar para trás tudo e todos que conhecia até então e embarcar rumo ao novo, ao desconhecido.

Essa foi uma das mais importantes escolhas que precisei fazer na vida: ir ou ficar. 

Os prós e contras de uma escolha

Decidi mergulhar de cabeça nessa nova experiência e me mudar pra Nova York.

Posso dizer que há muitos pontos positivos de viver aqui: a sensação de segurança e a imensa oferta de programas culturais e esportivos são alguns deles. Mas – assim como tudo na vida – nem tudo são flores: há dias em que a distância física dos amigos e da família pesa bastante.

E não vou negar que a falta de um pastel de feira também machuca. 

Brincadeiras à parte, existem sim muitos desafios em morar longe. Alguns deles chegam de rasteira e me pegam desprevenida, daqueles do tipo que a gente só sabe quando vive. Mas a grande maioria das dificuldades não são surpreendentes.

Escolher é um processo

Antes de tomar a decisão de guinar totalmente minha vida pra outra direção, eu refleti, estudei e conversei bastante com amigas que viveram algo similar, para tentar compreender tudo o que eu precisaria renunciar em prol dessa escolha, tudo que eu teria que abrir mão para dar espaço para o novo entrar.

Ter feito esse preparo mental de antemão não apenas me deu a segurança de saber que essa seria a melhor escolha para o momento, mas também tornou as partes mais desafiadoras um tanto quanto mais toleráveis, já que eu estava preparada para elas. 

Usei como exemplo a minha mudança de país, mas acho que essa mesma perspectiva vale para muitas das mais importantes escolhas que fazemos durante nossas vidas: casar e se separar, por exemplo. Ter ou não ter filhos. Apostar numa carreira totalmente nova ou comandar o próprio negócio…

Todas essas possibilidades precisam ser exatamente isso: escolhas.

Escolhas que fazemos por nós mesmas para nós mesmas, e não porque achamos que temos que fazê-las porque é o que esperam de nós, porque a família cobra, porque acreditamos que existe só um caminho a ser percorrido.

Escolher é privilégio

O privilégio de podermos fazer nossas próprias escolhas sobre nossos corpos e vidas é a mais bela representação de liberdade que podemos alcançar. Na era da informação em que vivemos, nada mais responsável do que nos munirmos de todo o conhecimento possível para nos sentirmos seguras em relação a quais decisões tomar em cada etapa da vida. 

Por isso é tão importante a manutenção de uma rede de apoio que nos ofereça uma troca honesta e genuína: entre cônjuges e familiares, entre amigas, entre médicos e pacientes.

Ter com quem contar significa não apenas compartilhar as alegrias das nossas conquistas, mas também receber alertas – sempre carinhosos – sobre os obstáculos que podem aparecer no meio do caminho.

Nossa rede de apoio também nos faz olhar de forma diferente para aos desafios que nos desequilibraram e nos tiraram do prumo, pois essa experiência adquirida podem ajudar a orientar uma amiga que talvez esteja passando por uma situação similar a não desanimar no meio do percurso. 

É em rede que nos fortalecemos

Muitas das experiências que vivemos são pessoais e individuais, mas, compartilhadas, elas podem servir de inspiração para as mulheres que caminham ao nosso lado.

Elas podem ter pontos de partida distintos e linhas de chegada completamente diferentes das nossas, mas saber que alguém já desbravou ao menos parte daquele trajeto pode ser o que torna o seu desafio mais confortável e menos assustador. 

Por fim, vale lembrar que quase nada na vida é eterno. Há sempre oportunidade para mudar, fazer escolhas diferentes, tentar o novo. O mais importante é nunca deixar de lado a autonomia de sermos as condutoras de nossas próprias vidas.

Sobre a autora

Giuliana Giordano paulistana, internacionalista, marketeira e escritora convidada pelo blog da Oya Care. Esse depoimento faz parte do projeto É Tempo de (Re) Escolher. Conheça mais histórias de escolhas inspiradoras clicando aqui.

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