Depoimento congelamento de óvulos: “Livre para correr riscos”

Já pensou em fazer um congelamento de óvulos, mas ainda não tem certeza se deve seguir em frente? Que tal ouvir o depoimento de alguém que passou por todo o processo?

A Oya conversou com Larissa Cruz, designer de 34 anos que realizou o congelamento de óvulos na nossa clínica. A seguir, você confere esse papo na íntegra e aproveita para tirar todas as suas dúvidas. Vamos juntas?

Por que você começou a pensar no congelamento de óvulos?

Lari: Vou começar de quando meus primeiros pensamentos começaram a surgir, porque acho que o tempo que a gente leva pra tomar essa decisão é como uma mini gestação: você pensa, depois pensa de novo, e vai avaliando vários cenários.

Comigo foi assim: eu tinha acabado de iniciar um novo emprego e meu foco, nesse momento, era total para essa nova fase profissional. Até porque sempre tive muitos projetos paralelos, além do trabalho. E não me via parando e saindo desse ritmo mais acelerado pra focar em outra coisa. Então comecei a pensar: e se eu congelar os óvulos?

Nessa época, eu tinha 31 anos. Cheguei a consultar uma ginecologista sobre esse assunto, mas ela me tranquilizou, dizendo que eu não precisava me preocupar ainda, que tinha tempo. E aí decidi esperar.

Até que cheguei aos 34 anos e comecei a me inteirar mais sobre esse assunto outra vez. Descobri que ter 34 é muito diferente de ter 35 anos, porque a reserva ovariana diminui muito nessa virada. E esse fator da idade foi o que deu uma impulsionada na minha vontade de congelar os óvulos. 

Mas teve uma mulher que também foi muito importante nesse processo: a esposa do meu pai. Ela não tem filhos, mas, conversando comigo, disse que, se tivesse sido instruída a fazer o congelamento no passado, ela teria feito. Como isso não foi algo a que ela teve acesso naquele momento, ela estava aproveitando a oportunidade para me instruir. 

Então juntei todo esse contexto ao momento que eu estava vivendo e comecei de fato a procurar clínicas pra fazer o congelamento. 

Você tem vontade de ser mãe um dia?

Lari: Ser mãe nunca foi muito uma vontade minha, e, mesmo hoje, não sei se é. Não tinha muito contato com crianças na família, porque boa parte das pessoas não têm filhos, e também nunca foi uma coisa que busquei. Lembro que, quando encontrava crianças, ficava sem saber como interagir.

Esse cenário mudou um pouco no meu último relacionamento, porque meu ex-parceiro tem três filhos. Isso me fez ter mais convívio com crianças e ficar mais confortável nessa interação. Passou a ser muito fácil falar com eles, pensar em brincadeiras, essas coisas, e então comecei a pensar que eu levo jeito [pra ser mãe].

E como foi o processo de encontrar uma clínica?

Lari: Eu liguei em várias clínicas e estudei, primeiro, algumas opções mais próximas da minha região [Campinas, São Paulo]. Fiz uma pesquisa bem extensa e comecei a ver que [o congelamento de óvulos] era uma coisa muito possível, o mais difícil era entender a logística das datas. 

Cheguei a agendar uma primeira consulta em uma clínica tradicional e achei bem bacana: foi um bate-papo no qual pude tirar várias dúvidas e começar o processo de congelamento. Gostei muito da médica, até porque era uma pessoa que eu já acompanhava pelas redes sociais. Porém, antes de chegar ao consultório dela, passei por um momento um pouco estranho.

Conta mais: como foi o atendimento em uma clínica tradicional?

Lari: Acho importante mencionar que eu optei por fazer todo o processo sozinha. É uma decisão pessoal, mas preferi não convidar ninguém pra estar comigo nessa primeira consulta — nem mãe, nem amigas. Só que, quando entrei na clínica, a primeira coisa que vi foram milhares de fotos de bebês

Aquilo me deixou um pouco assustada. Porque eu não estava ali decidindo que sim, seria mãe. Mesmo hoje, ainda não tomei essa decisão. Então, já de cara, esse board de bebês me deixou bastante impactada. Mas, até aí, tudo bem: desencanei e fui fazer a consulta. 

Enquanto eu aguardava os exames, que aconteciam logo depois da consulta, decidi tomar um café e notei que em outra parte da clínica tinham mais fotos e algumas cartas e depoimentos. Depois que comecei a ler, percebi que eram todos de casais heterossexuais que comentavam que tinham “realizado seu sonho”, e isso me fez sentir muito fora daquele universo

Porque não tinha nenhuma mulher lá, sozinha, realizando um sonho — ou esse desejo que talvez nem seja um sonho, é um processo. Então comecei a me sentir muito deslocada. Mas, até aí, eu continuava pensando que talvez fosse uma questão minha, afinal é um universo novo. 

O que foi a gota d’água, pra mim, foi que, em um determinado momento, fui levada pra uma salinha e fui atendida por uma outra pessoa, já com bastante experiência no ramo e já mais velha, mas que me tratou muuuuito mal. Porque eu tinha muitas dúvidas, queria fazer perguntas, mas ela foi muito grosseira

E aí fiquei pensando: “meu Deus, se tô recebendo esse tipo de tratamento antes de investir uma quantia alta de dinheiro, imagina depois?”. Saí de lá totalmente desencorajada, desanimada também, e dei uma desistida. Até que, um tempo depois, um amigo me falou da Oya Care.

Por que a Oya Care, e não outra clínica?

Lari: Nossa, eu vou adorar responder a essa pergunta [risos]. Depois que esse amigo me recomendou a Oya, fui atrás de saber mais sobre a empresa. Descobri o instagram da Oya Care e comecei a ver que era tudo muito diferente dos serviços tradicionais, com os quais eu tinha tido contato. 

Por sorte, na mesma semana, rolou uma live da Oya sobre Congelamento de Óvulos e eu participei. Fiz muitos comentários e, assim que a transmissão acabou, eu agendei minha primeira consulta no site da Oya. 

E como foi todo o processo de consulta com a Oya?

Lari: Começa que eu precisava conciliar a minha estadia em São Paulo [capital] com o calendário da Oya, porque, como expliquei, moro em Campinas. Só que a data que eu podia não estava disponível no calendário. Entrei em contato pelo WhatsApp, expliquei a minha necessidade, e as meninas prontamente disponibilizaram o dia e o horário que eu tinha escolhido, para que eu conseguisse agendar.

No dia da consulta, fui até a clínica física da Oya. Mas acho importante fazer um adendo, porque o espaço não tem cara de consultório. Parece um café saudável, sei lá, tem uma vibe diferente. E eu não estava esperando nada disso. Realmente não parece uma clínica, e, ainda bem, não tinha fotos de bebês [risos]. Fui achando que ia encontrar um cenário cheio de coisas que remetessem à maternidade, mas a realidade foi muito mais agradável, muito diferente. 

Esse momento foi muito marcante, porque me senti mais empoderada. Não tinha ninguém me olhando como se tivesse faltando um parceiro ao meu lado, e sim como se eles estivessem prontos pra receber uma mulher poderosa, livre, corajosa. O ambiente me fez sentir assim, sabe?

Conversei com a equipe de cuidados e expliquei toda a situação. Depois, conversei com a médica, que foi muito carismática, muito simpática, e tirou todas as minhas dúvidas. Foi tudo bem calmo, e na saída ainda recebi um kit muito maravilhoso [risos]. Mas fui embora muito convencida a colocar o meu dinheiro ali, porque o modo como me receberam fez toda a diferença

Depois de iniciar o congelamento de óvulos, você sentiu alguma diferença no seu corpo?

Lari: Eu fiz todos os exames — e a Oya me ajudou muito em todo o processo, removeu o máximo de obstáculos possível, tirou todas as minhas dúvidas — e comecei com a medicação. Depois do primeiro ultrassom, recebi uma maletinha com as injeções que precisaria aplicar em mim mesma, mas esse processo foi feito em casa. 

Precisei pesquisar um pouco sobre a aplicação porque nunca tinha feito nada nem parecido com aquilo. Era a primeira vez que colocava uma agulha em mim mesma, sabe? [risos] Mas fiz e deu tudo certo. A médica da Oya me acompanhou por vídeo e foi me orientando, me mostrando como fazer…

No início, achei que fosse ficar muito estressada e ansiosa. Mas acabou que não senti nada disso. O que rolou foi um inchaço na região da aplicação, que é normal. Não tive dor de cabeça, não tive nada…

A verdade mesmo é que eu só tenho a elogiar esse processo. Não sei se é uma consequência normal dos hormônios, mas fiquei me sentindo super “no auge”, uma deusa da fertilidade. Eu amei muito! [risos] Aumentou muito a minha libido, me fez sentir muito mais bonita também. E eu não sabia que isso podia acontecer, mas foi uma surpresa muito positiva.

Como foi o processo de punção e coleta dos óvulos?

Lari: Acho importante começar explicando que nunca tinha passado por nenhum procedimento cirúrgico. O máximo que já fiz foi a retirada dos sisos, que não envolve sedação. E, por isso, eu estava bem apreensiva. 

Mas as médicas da Oya me acalmaram bastante e explicaram todo o processo da sedação. Então, no dia, cheguei e fui muito bem recebida. Conversei com a médica e com o anestesista antes de entrar na cirurgia de fato, e me senti muito cuidada, porque eles fizeram tudo com muita atenção.

Foi uma cirurgia muito simples, muito rápida, e deu tudo certo. Acordei, voltei pro quarto e fui liberada pra casa no mesmo dia. 

A minha recuperação também foi muito tranquila. Priorizei dormir bastante, me recuperar, descansar. E até senti um incômodo [na região] no dia, mas era absolutamente normal. Eu fiz a cirurgia na quinta, antes de um feriadão, e na segunda já estava bem, fui trabalhar normalmente. 

E depois do congelamento de óvulos, como você se sentiu?

Lari: A Oya continuou me acompanhando, mesmo depois do processo. Então, depois da cirurgia, recebi os medicamentos que deveria usar — mas acabei nem precisando dos remédios pra dor, por exemplo. E a equipe de cuidados também entrava em contato pra saber como eu estava me sentindo. Eu ainda aproveitei esse momento pra tirar mais dúvidas, e todo mundo me deixou bem tranquila.

Sempre tive vontade de fazer o congelamento, e é uma decisão que me deixa cada vez mais livre, inclusive pra correr riscos. Eu posso errar, posso acertar, porque ganhei um pouquinho mais de tempo e de segurança, caso eu opte por engravidar mesmo.

O congelamento de óvulos era um benefício da sua empresa. Como ele funciona? Isso foi um diferencial?

Lari: A empresa oferece o congelamento de óvulos a partir de alguns pré-requisitos, que eu atendia. Quando me dei conta de que podia fazer todo esse processo por lá, comecei a pesquisar mais e iniciei o pedido.

Acho que é um benefício muito bom. Na verdade, acho que só segui com o congelamento porque tive esse benefício. Porque, se dependesse só de mim, eu teria que fazer todo o processo um pouco mais pra frente — daqui um ano, mais ou menos. E eu queria muito que ele fosse feito antes dos 35 [anos].

A empresa cobriu 70% dos custos com o congelamento de óvulos, e isso foi algo que me beneficiou de verdade. 

Quais são as principais vantagens e desvantagens do congelamento de óvulos?

Lari: Acho que a maior desvantagem é o fato de ser um processo muito solitário, justamente porque é muito individual: você precisa [se] conhecer, entender [o processo] e decidir se quer passar por ele. 

Além disso, é algo muito novo, então pode ser que as pessoas ao seu redor estranhem um pouco a decisão. E aí a gente precisa lidar com alguns comentários que aumentam a insegurança, ou que impõem uma decisão. Por exemplo, precisei educar as pessoas e explicar que, mesmo congelando os óvulos, eu não sabia se queria ser mãe; que estava apenas garantindo uma possibilidade de escolha no futuro.

Agora, a principal vantagem, pra mim, foi conseguir reformular o meu papel enquanto mulher na sociedade. Porque a gente cresce acreditando que a nossa função é cuidar, é estar do lado de outra pessoa, mas nunca sermos protagonistas da nossa vida. E não é fácil ressignificar essa crença.

Outra coisa que eu penso muito é: eu tô em 2023, tenho 34 anos, e o congelamento de óvulos é uma possibilidade. Por que eu não vou fazer isso? Por que eu não viveria os grandes momentos históricos das mulheres, como a liberdade de poder optar por fazer esse procedimento? Se, hoje, o que a gente tem de mais atual é esse protagonismo na escolha de ser ou não mãe, então por que não ser a mulher do meu tempo?

A Oya, na minha vida, veio muito com esse papel de me dar mais energia, mais impulso, mais coragem. E de me ajudar a responder algumas perguntas que eu não saberia responder sozinha. 

O que você diria para uma pessoa que está pensando em fazer o congelamento de óvulos?

Lari: Eu diria que ela não é a única pessoa que está pensando nisso, que tá passando por esse momento. Existem várias outras pessoas lidando com essas questões, mas a gente não sabe.

Ouvir, durante a consulta com a Oya, sobre outros casos de pessoas que já tinham passado pelo congelamento era algo que me enchia muito os olhos. Porque eu pensava que poxa, existem muitas pessoas fazendo essa escolha. E isso me dava mais coragem

Acredito de verdade que vale muito a pena fazer o congelamento. E a Oya fez ser menos solitário, porque virou como uma amiga, mesmo, com quem eu posso compartilhar tudo.

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