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Depoimento DIU Mirena: “Passei a me sentir uma pessoa real”

Você sabia que existem mais de dez tipos de anticoncepcionais diferentes, entre opções hormonais e não hormonais? Com um leque tão grande — e ao qual nem todo mundo tem acesso! —, pode ser difícil escolher o melhor tipo de método contraceptivo. 

Por isso, se você está pensando em usar o DIU Mirena, uma das alternativas hormonais de dispositivo, mas ainda não tem certeza se deve ou não colocá-lo, que tal ouvir a opinião de alguém que já usa esse método antes de tomar uma decisão

Para te ajudar nesse processo, conversamos com a Bárbara (25), designer, ilustradora no @barbarartes e bacharel em Comunicação e Multimeios pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), que usa o DIU Mirena há seis anos. Ela compartilhou um pouco dessa experiência a longo prazo e das principais mudanças que sentiu no próprio corpo.

Também conversamos com a Dra. Natalia Ramos, líder da equipe médica da Oya Care, que comentou sobre a experiência da Barbara. Assim, você entende melhor se esses efeitos são comuns e tem uma opinião médica qualificada na hora de tomar decisões. Vamos juntas?

“Colocar o DIU foi decisivo até para a minha saúde mental”

O que te motivou a usar o DIU Mirena? Você chegou a testar outros métodos contraceptivos?

Barbara: Sim. Antes do DIU, usei a pílula anticoncepcional por seis anos. 

O uso dos anticoncepcionais começou graças a um exame que a minha ginecologista pediu, porque as pessoas da minha família [mãe, avó] tinham muita dificuldade para engravidar. Como elas foram diagnosticadas com a síndrome do ovário policístico (SOP) e o meu período menstrual durava mais ou menos 15 dias, minha ginecologista [a mesma das outras mulheres da família] pediu uma ultrassonografia para garantir que estava tudo bem. Eu tinha mais ou menos 13 anos, e ainda não tinha começado minha vida sexual.

Depois dos resultados positivos para síndrome do ovário policístico, começamos o uso da pílula porque a ginecologista acreditava que isso ajudaria a diminuir os cistos no meu ovário. Mas, como eu era muito jovem na época, meu uso desse anticoncepcional não era tão regrado. Com 13 anos, era muito mais divertido falar que eu usava a pílula, mas eu não me preocupava de fato com aquilo. 

E o DIU Mirena, como se tornou uma opção?

Barbara: Foi só quando iniciei a minha vida sexual que passei a me preocupar mais com a periodicidade da pílula anticoncepcional. Acontece que essa exigência de tomar todos os dias, sempre no mesmo horário, não funcionava muito bem para o meu estilo de vida, então não era incomum esquecer. Foi aí que entendi que precisava de um método contraceptivo que exigisse menos manutenção.

Por conta da SOP, minhas cólicas sempre foram muito fortes, realmente incapacitantes. O meu fluxo menstrual também era bastante intenso, o que exigia uma troca de absorventes recorrente. Conversando com a minha ginecologista sobre tudo isso, ela perguntou se eu me incomodaria de parar de menstruar, e eu falei que não. Honestamente, até preferia não ter que lidar com nada daquilo. 

Hoje, talvez, eu pensasse melhor sobre o assunto. Mas, naquele momento, eu só queria me livrar da menstruação, porque ela estava tornando a minha vida impossível: limitava as minhas roupas, fazia com que eu me sentisse desconfortável fora de casa e atrapalhava até o meu trabalho, por conta das dores.

Então a minha médica me deu um panfleto que explicava melhor sobre os tipos de DIU. Na parte do DIU mirena, estava escrito que ele equivalia a uma laqueadura [em termos de eficácia]. E, como eu já não queria ter filhos, pensei: “É esse.” Porque fazia muito sentido: eu não precisaria passar por um processo tão definitivo, mas também não precisaria me preocupar com a chance de engravidar

Dra. Natalia: Os métodos contraceptivos de longa ação — como são conhecidos os DIUs e implantes contraceptivos — são métodos que ganham cada vez maior popularidade entre as usuárias devido à facilidade e à segurança que promovem. Para pessoas que têm dificuldades em se lembrar de tomar a pílula, por exemplo, são métodos confortáveis. Um dos públicos mais beneficiados por eles são as adolescentes e pessoas jovens, que, muitas vezes, estão em fase de iniciação sexual e, por isso, podem ter maior dificuldade de adaptação a métodos contraceptivos. 

É essencial, também, que todas as usuárias de métodos que levam a amenorréia [nome técnico dado para a ausência da menstruação] saibam que isso não afeta a saúde ginecológica e reprodutiva. Pelo contrário, em algumas situações, suspender a menstruação pode ser essencial para tratarmos algumas doenças.

Você já passou por uma troca do DIU Mirena. Por que escolheu continuar?

Barbara: Depois de cinco anos usando o DIU, voltei na minha ginecologista para conversar sobre a necessidade de trocá-lo. 

A verdade é que, hoje, depois desse período todo, sinto um pouco de falta de menstruar. Isso porque tenho os efeitos de todas as fases do ciclo menstrual — TPM, cólica, mudanças de humor —, mas parece que não tenho o “alívio” de quando a menstruação desce.

Minha ginecologista explicou que havia outras opções, como o implante hormonal, mas que não era possível prever como isso afetaria o meu ciclo menstrual. Existia a possibilidade de o meu corpo ter efeitos mais negativos, e, como o DIU Mirena era algo que estava funcionando e me fazendo bem, optei por mantê-lo. 

Dra. Natalia: Concordo com a posição da Bárbara. Raramente mudo o “time que está ganhando”. Um dos pontos positivos do [DIU] Mirena, no caso da Ba, é que ela está adaptada. Apesar da sensação “ruim” de não menstruar, do ponto de vista biológico, não existe nenhum risco para a saúde dela o fato de estar em amenorréia [sem menstruação], então podemos ficar tranquilas.

Como você se sente a respeito do uso de hormônios no DIU?

Barbara: Pra mim, foi um alívio enorme. Porque menstruar era péssimo, me fazia muito mal. Colocar o DIU foi um marco decisivo inclusive na minha saúde mental, porque a sensação que passei a ter era a de que eu podia ser uma pessoa: conseguia sair com meus amigos, conseguia trabalhar, sem aquela preocupação constante de estar menstruada na rua e de acontecer alguma coisa.

A sensação que eu tinha, antes de colocar o DIU Mirena, era de que eu não era como as outras garotas. Não existia o melhor tipo de absorvente, ou a opção de investir em coletores menstruais e calcinhas específicas, porque nada me fazia sentir segura de verdade

Como foi a colocação do DIU Mirena? Doeu? E depois, ficou tudo bem?

Barbara: Fiz a inserção com sedação local, então foi tudo bem tranquilo, apesar de eu estar muito tensa na hora. Optei pela anestesia local porque tenho medo da sedação completa e nunca passei por nenhuma cirurgia. Minha mãe também já tinha usado o DIU e me acalmou um pouco, e na hora H deu tudo certo. 

O problema foi o período depois da inserção. O meu corpo negou o DIU Mirena, e passei três meses menstruando, com uma cólica que não passava com nenhum remédio. A sensação que eu tinha era a de uma enxaqueca no útero, uma dor de dentro pra fora.

Minha ginecologista chegou a sugerir que a gente tirasse, mas eu queria “aguentar”, ver se ia mesmo ser algo difícil de me adaptar. Fiz todos os ultrassons e nenhum deles mostrou que o DIU estava deslocado; era mesmo só uma questão de adaptação.

Aos poucos, os sintomas foram diminuindo e a minha menstruação parou. Dali pra frente, tudo no meu corpo ficou regulado e passou a funcionar muito melhor.

Dra. Natalia: Infelizmente, 10% das usuárias deste tipo de DIU, o Mirena, podem de fato ter um sangramento uterino anormal após inserção do DIU. Além disso, é importante dizer que não temos como prever quem será a pessoa que vai viver esse quadro desagradável

Ainda assim, temos duas boas notícias. A primeira é que muitas pessoas têm um alívio do quadro com o uso de medicações via oral. A segunda é que a maior parte dos casos têm uma melhora total do quadro em 3 a 6 meses. A porcentagem de troca de método por essa causa é baixa, sendo inferior a 5% das usuárias.

Depois de começar a usar o DIU Mirena, você teve efeitos colaterais?

Barbara: O principal efeito foi que os meus cistos no ovário diminuíram muito. Eles ainda existem, e ainda sinto cólicas, mas não se compara ao que era antes de colocar o DIU Mirena. Acho que também é importante pontuar que trato a SOP com alimentação, além do anticoncepcional.

Outra coisa que percebi é que o DIU também auxiliou o meu ganho de peso. Não quero dizer que eu engordei por causa do DIU, mas sinto que, antes, era mais fácil perder peso. Hoje, acho que o DIU torna esse processo mais difícil. 

Minha pele também piorou um pouco, principalmente nos primeiros meses. Não foi nada muito significativo ou que me incomode, mas consigo notar algumas diferenças.

E existe o fato de que a minha menstruação não parou completamente: ainda que eu passe a maior parte do tempo sem menstruar, em momentos de muuuuito estresse ainda rola aquele escape “menstrual”, sabe?

Ainda assim, em geral, acho que o DIU foi muito bonzinho comigo: desde que coloquei, com exceção do período de adaptação, não senti nada que me incomodasse de verdade. 

Dra. Natalia: Um dos efeitos colaterais do DIU Mirena é a acne. Não acontece em todas as pessoas, mas, para quem já apresenta essa tendência, é comum que piore. Algumas pessoas migram da pílula para o DIU Mirena. Nestes casos, como foi o da Ba, perdemos o efeito cosmético positivo da pílula, uma das vantagens deste método, e vamos para um método que piora um pouco essa condição.

Sobre o ganho de peso, os estudos não mostram esta tendência, mas ninguém melhor para entender seu próprio corpo do que nós mesmas.

Com relação aos cistos de ovários que a Ba comentou, nem sempre o DIU Mirena terá um efeito positivo. Algumas mulheres podem ter a persistência de cistos funcionais antigos e até ter novos cistos. Ainda assim, não podemos nos esquecer de que cada corpo é único e, por isso, precisamos aguardar a resposta individual de cada usuária.

Você tem vontade de ter filhos no futuro?

Barbara: Não. Sempre tive muito medo de engravidar, e mesmo hoje não é uma coisa que eu quero. Na época em que coloquei o DIU, esse medo era ainda maior, porque estava no começo da faculdade. A sensação era de que, se eu tivesse um filho, minha vida acabaria.

O DIU Mirena foi uma opção também por isso. Se eu tinha tranquilidade para me relacionar com as pessoas, queria a tranquilidade de saber que essas relações não terminariam em uma gravidez. Quando li, no panfleto que minha ginecologista me deu, “o DIU mirena equivale a uma laqueadura”, não tive dúvidas de que essa era a decisão certa. 

Mas existe ainda uma outra questão: cheguei a fazer a Descoberta da Fertilidade, na Oya, e vi que a minha reserva ovariana é alta para a minha idade. Isso significa que posso engravidar naturalmente até mais tarde, seguindo o padrão da minha família. Não é uma vontade minha hoje, não acho que vá ser no futuro, mas sinto que tenho tempo para mudar de ideia, se eu quiser. 

Para você, quais são as vantagens e desvantagens do DIU Mirena?

Barbara: Sobre as desvantagens, acho que é principalmente a falta que sinto, hoje, de menstruar. A visão do sangue menstrual traz uma segurança extra, e, com o DIU, a gente precisa confiar que está funcionando. Admito, porém, que esse desejo pode ter a ver com o meu trabalho, que exige que eu pense sobre saúde feminina e menstruação todos os dias. 

Já em relação às vantagens, elas são muitas. A principal é a estabilidade emocional: já não me sinto tão ansiosa e preocupada com a menstruação, e tudo era muito intenso, inclusive as dores. Me desgastava muito ter que criar todo um plano de ação sempre que precisava sair de casa, para trabalhar ou para me divertir. 

Além disso, gosto muito da passagem de tempo que o DIU me dá. Me sentia muito jovem quando coloquei pela primeira vez, com 19 anos, e ficava imaginando quem eu seria dali 5 anos, quando fosse a hora de trocar. Agora faço a mesma coisa. Parece um comprometimento muito longo, mas, na verdade, você até esquece que esse tempo está passando, porque não exige nada, nenhum trabalho. 

Uma coisa que percebi de uns anos pra cá é que sempre fui um pouco relaxada com a minha saúde. Mesmo passando por todas as fases possíveis do “self care” — roupas, maquiagem, skin care, alimentação —, nunca cheguei na parte de saúde de fato. E o DIU me tranquiliza também nesse sentido, porque não é algo que preciso tomar o cuidado de fazer sempre.

Acho que o DIU Mirena não é pra mim. E agora?

Se, depois de ler sobre a experiência da Barbara, você percebeu que o DIU Mirena pode não ser a melhor opção para o seu caso, não precisa se preocupar: existem muitos outros métodos contraceptivos disponíveis. Olha só:

Tipo de método contraceptivoExemplos
Outros métodos contraceptivos hormonaisPílula anticoncepcional, adesivo anticoncepcional, implante hormonal
Métodos contraceptivos de barreiraCamisinha, DIU de prata, DIU de cobre
Métodos contraceptivos naturaisTabelinha, coito interrompido, método sintotérmico
Métodos contraceptivos definitivosLaqueadura, vasectomia, histerectomia

Se você sabe que quer um anticoncepcional de longo prazo, também pode aproveitar para investigar melhor as diferenças entre o DIU Mirena e o Implanon.

Se, por outro lado, a questão são os hormônios, você ainda pode dar uma olhada em outros dois depoimentos sobre o DIU não hormonal: conversamos com a Laura, que usa o DIU de cobre, e com a Isabelle, que usa o DIU de prata

Quero colocar o DIU Mirena. Por onde começar?

A inserção de DIU Mirena pode ser feita em diferentes clínicas ginecológicas, sempre com um profissional de ginecologia qualificado. Se você é de São Paulo (SP), a Oya pode te ajudar: fazemos a inserção do DIU na nossa clínica física.

Nossa equipe de médicas ginecologistas é treinada para te deixar confortável e segura, com o mínimo possível de incômodos — físicos ou psicológicos. Por isso, você pode optar por colocar o DIU com ou sem sedação, além de criar um ambiente mais relaxante, com luz mais baixa, aromaterapia e até uma playlist que te faça sentir em casa.

O procedimento leva no máximo 30 minutos e a eficácia é de mais de 99%. Não perca mais tempo: agende a sua consulta agora mesmo!

ESCRITO POR

Dra. Natalia Ramos Seixas

REVISADO POR

Dra. Natalia Ramos Seixas

A Dra. Natalia Ramos Seixas é a líder médica da Oya Care, especialista em fertilidade e reprodução humana.

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