Cirurgias ginecológicas: conheça as principais!

Quem já foi diagnosticada com alguma doença ginecológica — como a endometriose, a síndrome do ovário policístico ou os miomas — provavelmente já se perguntou: será que vou precisar de cirurgia?

Em muitos casos, a resposta é não: tratamentos clínicos, medicamentosos e o trabalho ao lado com uma equipe multidisciplinar podem ser eficazes para melhoria dos sintomas e da qualidade de vida. Por outro lado, há situações em que as cirurgias ginecológicas se tornam necessárias. Nesse cenário, é ideal estar bem informada sobre cada uma delas.

Pensando nisso, a Oya Care elaborou um conteúdo completo sobre o assunto. Além de te contar quais são as cirurgias ginecológicas mais comuns, a gente te explica quando elas são necessárias, o preço e quais cuidados você deve ter antes e depois dos procedimentos. Quer saber mais? Continue lendo!

Quais são as cirurgias ginecológicas mais comuns?

As cirurgias ginecológicas são intervenções realizadas em todo o sistema reprodutor feminino, ou seja, vulva, vagina, colo do útero, útero, trompas uterinas e ovários. Em geral, são recomendadas por uma médica ginecologista especializada após a avaliação cuidadosa do quadro da paciente. 

Apesar de existirem diferentes tipos de cirurgia ginecológica, nem todas ligadas a questões de saúde, a minoria dos casos possui indicação de cirurgia. Para endometriose, por exemplo, estima-se que 10% a 30% das pacientes tenham indicação de operar ao longo da vida. 

Outras doenças ginecológicas que podem ter indicação de cirurgia são miomas uterinos, pólipos do útero, cistos de ovário, gestação ectópica (fora do útero) e cânceres ginecológicos.

Abaixo, você vai conhecer as 5 cirurgias ginecológicas mais comuns e entender quando elas são indicadas, quais os riscos e como elas acontecem. Confira!

1. Histerectomia

A histerectomia é a cirurgia ginecológica em que é realizada a retirada do útero, associada ou não à retirada das trompas e dos ovários em uma pessoa do sexo feminino. Por ser considerada um método contraceptivo definitivo, só costuma ser recomendada quando outros tratamentos não foram bem-sucedidos, ou quando a mulher não quer mais engravidar.

De modo geral, a histerectomia pode ser dividida em 3 tipos:

  • Histerectomia total: é a retirada do útero e colo do útero;
  • Histerectomia subtotal: é a retirada do útero, mas que mantém o colo do útero;
  • Pan histerectomia: é a retirada do útero, trompas e ovários, do colo do útero. Pode ser ampliada, com a retirada da região superior da vagina e de parte dos tecidos que revestem esses órgãos, em geral recomendada em casos de câncer avançado.

A recomendação médica para uma histerectomia pode ser feita para pacientes que possuem miomas uterinos, prolapso uterino (“descida” do útero), endometriose grave (com invasão profunda do útero), adenomiose ou câncer de endométrio ou de colo de útero — um dos cânceres mais comuns em mulheres.

Para algumas dessas doenças, como os miomas e a adenomiose, a cirurgia pode ser um tratamento definitivo. Além disso, ela só costuma ser indicada quando os tratamentos clínicos não foram suficientes para controlar os sintomas, além de levar em consideração se a pessoa já tem filhos ou deseja ter.

Dois pontos importantes para ter em mente quando você vai passar por uma histerectomia são:

  • Nos casos em que a paciente já tem filhos e não tem mais desejo reprodutivo, recomenda-se que a retirada do útero inclua a retirada das tubas uterinas. Desse modo, há uma redução nas chances de câncer de ovário.
  • Após a retirada do útero, a pessoa para de menstruar, mas, como os ovários são preservados, a produção hormonal é garantida. Desse modo, a paciente continua tendo ciclos menstruais, sem sangramento, até a menopausa.

2. Miomectomia

A miomectomia é a cirurgia ginecológica que visa remover os nódulos uterinos, isto é, os miomas. É indicada para pessoas que pretendem preservar o útero e pode ser feita por via minimamente invasiva (laparoscopia ou cirurgia robótica), aumentando as chances de uma recuperação mais rápida, menores chances de complicações pós cirúrgicas, cicatrizes menores, e retorno mais rápido às atividades rotineiras.  

A miomectomia costuma ser uma alternativa quando os miomas uterinos apresentam grande volume ou sintomas que prejudicam a qualidade de vida, como hemorragia vaginal, dor pélvica e aumento da frequência urinária.

Vale lembrar, contudo, que existem outros tratamentos para mioma uterino que não a cirurgia, sobretudo nos casos em que não há presença de sintomas. Por isso, converse com a sua ginecologista sobre outras opções antes de partir para um tratamento mais invasivo, ok?

Outro ponto importante é que não é recomendado engravidar logo após a cirurgia. Para quem deseja gestar, o mais indicado é esperar pelo menos 6 meses e receber o ok da médica antes de começar a tentar.

3. Ooforectomia

A ooforectomia é a cirurgia ginecológica responsável pela remoção de um (ooforectomia unilateral) ou de ambos (ooforectomia bilateral) os ovários

Em geral, é uma medida adotada para tratar o câncer de ovário ou para evitar o seu surgimento nesta região. No entanto, outros problemas de saúde também podem fazer com que a ooforectomia seja recomendada, como:

  • Torção no ovário: quando um cisto no ovário cresce demais, há uma alteração da sua posição no ovário e uma compressão de vasos sanguíneos, causando dor aguda. Nesses casos, a ooforectomia é necessária de forma emergencial.
  • Cistos suspeitos: em alguns casos, mesmo após a biópsia, pode haver dúvida sobre a natureza de um cisto ovariano. A retirada do ovário garante, portanto, a segurança da paciente.

Na maior parte dos casos, quando não há suspeita de malignidade, a conduta cirúrgica deve ter como objetivo a preservação da fertilidade da paciente, ou seja, de retirada do cisto ovariano e manutenção do tecido ovariano sadio. Nesse caso, ela recebe o nome de ooforoplastia, “plástica do ovário”.

Nos casos de ooforectomia bilateral, ou seja, de retirada dos dois ovários, a pessoa pode lidar com a menopausa precoce. Isso acontece porque o organismo fica privado dos hormônios produzidos pelos ovários.

Para quem precisa passar pela ooforectomia, também é possível realizar o congelamento de óvulos. Dessa maneira, há um estímulo da ovulação no período pré-cirúrgico e a preservação da fertilidade em pacientes que gostariam de engravidar no futuro

4. Laparoscopia

Mais do que um tipo de cirurgia, a laparoscopia, também chamada de videolaparoscopia, é uma técnica de cirurgia ginecológica que acontece com auxílio de uma microcâmera e a partir de pequenas incisões (entre 5 a 10 milímetros) na região da barriga.

É a cirurgia ginecológica minimamente invasiva mais comum, e pode ser recomendada para tratamentos de diferentes doenças, como:

  • Endometriose;
  • Infertilidade;
  • Miomas;
  • Obstruções nas tubas uterinas;
  • Cistos no ovário.

Em geral, a laparoscopia só é indicada quando outros tratamentos (em geral, medicamentosos e a partir da mudança de estilo de vida) não foram bem sucedidos. Por isso, é necessário consultar uma médica ginecologista, que acompanhará o seu caso e te ajudará a decidir se a cirurgia é a melhor opção.

Por ser uma cirurgia minimamente invasiva (ou seja, não é necessário abrir a barriga), a recuperação da laparoscopia tende a ser mais rápida e com menos complicações. As cicatrizes também costumam ser menores e mais discretas.

5. Cirurgia de endometriose

A cirurgia para endometriose é indicada em casos específicos, como:

  • quando os sintomas não melhoram com os tratamentos clínicos disponíveis (como uso de contraceptivos hormonais) e impactam na qualidade de vida das pacientes;
  • em casos de infertilidade feminina;
  • quando a doença acomete locais específicos da pelve ou abdome, com risco de complicações graves para a paciente (ex: apêndice cecal, ceco, ureter);
  • quando há cistos de endometriose acima de 4 cm nos ovários.

É importante lembrar que as cirurgias ginecológicas de endometriose devem ser feitas de maneira adequada para melhores resultados clínicos em relação a sintomas e à fertilidade. Além disso, quanto mais bem sucedida a cirurgia de endometriose, maior a probabilidade de redução das chances de retorno da doença.

Nesse sentido, a cirurgia deve visar a retirada completa dos focos de endometriose. Recomenda-se, ainda, que ela seja feita por via minimamente invasiva (laparoscopia ou robótica) e conte com uma equipe multidisciplinar, altamente capacitada e treinada.

O que são cirurgias ginecológicas minimamente invasivas?

As cirurgias ginecológicas minimamente invasivas são aquelas que permitem o acesso à cavidade abdominal a partir de pequenos cortes (com cerca de 5 a 10 milímetros) ou por meio de orifícios fisiológicos (como a vagina). É o caso, por exemplo, da videolaparoscopia, cirurgia robótica e da videohisteroscopia. 

Esse tipo de cirurgia ginecológica é realizada com o auxílio de ferramentas mecânicas, conectadas a uma fonte de energia. Ou seja: a médica manuseia uma microcâmera e vê as imagens por uma tela. Assim, ela tem uma visão mais detalhada do que está acontecendo no corpo e pode entregar resultados melhores em termos clínicos e cirúrgicos.

Os benefícios para as pacientes também são vários, como:

  • Recuperação mais rápida;
  • Menor desconforto pós-operatório;
  • Cicatrizes menores, em geral imperceptíveis;
  • Tratamento de qualidade para diversas doenças ginecológicas.

No entanto, nem todos os profissionais de ginecologia estão aptos a realizar as cirurgias minimamente invasivas. Afinal, elas requerem um treinamento próprio, inclusive residência médica para  manuseio adequado das ferramentas. Por isso, o ideal é buscar uma médica com experiência no assunto.

Quando devo fazer uma cirurgia ginecológica?

A recomendação de cirurgia ginecológica só pode ser dada por uma ginecologista especialista em cirurgias. Depois de acompanhar o seu caso e tentar, se possível, tratamentos menos invasivos, ela saberá dizer exatamente quando é hora de partir para uma alternativa mais complexa, e quais são os benefícios dessa cirurgia para você.

Por exemplo: algumas pacientes com endometriose têm uma melhora significativa na qualidade de vida depois de passarem por uma cirurgia. Para quem lida com miomas, por exemplo, a cirurgia também pode ser uma forma de diminuir sintomas e recuperar o bem-estar. Já para quem foi diagnosticada com pólipos uterinos, a histeroscopia cirúrgica pode melhorar o sangramento e aumentar as chances de gestação espontânea. 

De toda forma, porém, o caminho que leva à cirurgia nem sempre vai ser simples. Por isso, é fundamental contar com uma médica da sua confiança, para que vocês possam, juntas, entender o momento da doença e pesar os prós e contras de uma decisão como essa.

Qual o preço de uma cirurgia ginecológica?

O valor de uma cirurgia ginecológica varia de acordo com o grau de complexidade da doença e do procedimento. Ou seja: para definir um valor exato, é preciso fazer uma consulta na sua clínica de escolha e entender as variáveis incluídas.

Por exemplo: uma cirurgia ginecológica simples, com o menor grau de complexidade possível, pode custar cerca de R$6.000,00 em uma cidade como São Paulo. Por outro lado, cirurgias muuuito complexas — que requerem equipes multidisciplinares (ginecologista, cirurgião do aparelho digestivo, urologista etc.) e com longas horas cirúrgicas — podem chegar aos R$75.000,00. Percebe como a variação é tão grande que não dá nem pra traçar uma margem segura?

E mais: fatores que não tem nada a ver com a cirurgia também podem impactar o montante final. Afinal, algumas regiões são mais caras, algumas equipes contam com profissionais de valor mais alto, etc. Por isso, a melhor escolha é sempre pesquisar bastante e considerar o custo-benefício.

Lembre-se, porém, que as cirurgias ginecológicas devem ser entendidas como um investimento. Afinal, elas estão intimamente ligadas à sua qualidade de vida e à sua saúde. Por isso, sempre que possível, procure profissionais especializadas e uma clínica que te faça sentir segura e confortável. 

Posso fazer cirurgias ginecológicas pelo SUS?

Sim. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece a possibilidade de realização de cirurgias ginecológicas de baixo e médio riscos em hospitais públicos. Para isso, porém, é necessário ter a indicação de cirurgia de uma médica e entrar em uma fila de espera.

Por conta da alta demanda, o tempo na fila pode durar alguns meses (em alguns casos, anos), mesmo para pacientes com urgência. Essa demora pode agravar o quadro de algumas pacientes, ou interferir na sua vida fértil de maneira mais definitiva. 

Outra opção é contar com o plano de saúde para fazer cirurgias ginecológicas. Nesse caso, a paciente pode conseguir o agendamento com mais facilidade (sobretudo em situações graves), mas pode não ser possível escolher a profissional e o tipo de cirurgia. Por exemplo: pode ser que a rede credenciada não conte com médicas especializadas em cirurgias minimamente invasivas.

Importante dizer que, se você tem plano de saúde, vale a pena conferir com a equipe que te acompanha sobre os hospitais de internação que contam com a estrutura adequada para as cirurgias, além da possibilidade de reembolso dos valores cirúrgicos. 

Quais cuidados ter antes e depois de uma cirurgia ginecológica?

Para quem já passou ou ainda vai passar por uma cirurgia ginecológica, é importante tomar alguns cuidados essenciais. Abaixo, a equipe médica da Oya Care reuniu orientações gerais para te ajudar nesse processo.

Vale lembrar, contudo, que os cuidados pré e pós-operatórios podem variar de acordo com o hospital em que será realizada a cirurgia. Mas não precisa se preocupar: você provavelmente vai receber todas essas orientações, se não da sua médica, então da equipe que te acompanhará durante o processo.

Cuidados pré-operatórios

A preparação para uma cirurgia ginecológica começa bem antes da operação, cerca de um dia antes. Esse tempo é necessário, em especial, para se cumprir o jejum absoluto, de sólidos e líquidos, que deve ser realizado por pelo menos oito horas

Atualmente, as principais diretrizes de recuperação cirúrgica rápida orientam que, para cirurgias longas, a paciente tome um líquido hipercalórico três horas antes da cirurgia, com intenção de minimizar o tempo de jejum e acelerar a recuperação. Essas orientações, porém, variam de equipe para equipe, e a ingestão desse líquido deve ser discutida com sua cirurgiã antes do procedimento. 

Além disso, a higienização do corpo com sabão neutro também é recomendada, enquanto o uso de cremes hidratantes, perfumes e outros produtos com álcool deve ser evitado. E lembre-se: mesmo se tratando de uma cirurgia ginecológica, duchas vaginais são proibidas. Não precisa se preocupar com “fazer feio” no hospital, ok? O foco de todos está na sua saúde e no seu corpo exatamente como ele é.Em alguns casos, pode ser necessária também a preparação intestinal a partir do uso de medicações que auxiliam a limpeza do intestino baixo. As quantidades e momentos em que isso deve ser feito serão indicados pela sua médica ou pela equipe de enfermagem que te acompanhará, mas você não precisa se preocupar: o processo é seguro.

Por fim, lembre-se de usar roupas confortáveis (nada de roupas apertadas!) no dia da cirurgia. Se você quiser, pode levar uma mochila com um pijama gostoso ou um moletom beeem larguinho, para conseguir se sentir em casa. Além disso, não esqueça de levar os exames ginecológicos solicitados pela sua médica.

Cuidado pós-operatórios

Para quem já saiu da cirurgia ginecológica, também é importante seguir algumas orientações gerais. Sua médica com certeza vai te passar o passo a passo do que você deve ou não fazer e de quais remédios tomar, mas vale a pena ter em mente algumas regrinhas comuns.  

Em primeiro lugar: nada de comidas pesadas. Além de você ter passado um tempão em jejum, a anestesia e os remédios usados durante a cirurgia podem deixar o nosso estômago bem enjoado. Por isso, invista em comidas leves por pelo menos um dia.

As atividades físicas ficarão a cargo da sua médica. Pode ser que você tenha permissão para caminhadas leves, mas a gente garante: exercícios intensos estão terminantemente proibidos nos primeiros 15 dias, pelo menos. Para evitar problemas sérios, como hemorragias, o repouso deve ser absoluto: só você, a sua cama e uma série gostosa na TV.

Além disso, é bem provável que você tenha que ficar sem relações sexuais por um período, a depender do tipo de cirurgia realizada. Além de elas também serem uma forma de esforço intenso, a sua região íntima precisa de tempo para se recuperar por completo. 

Por fim, atividades cotidianas — como dirigir, ir à praia, piscinas, sauna ou usar absorventes específicos — podem ou não ser permitidas, a depender da sua médica e do seu tipo de cirurgia. Fique à vontade para perguntar quais atividades do seu dia a dia você está liberada para fazer, e quais sinais devem ser alertas vermelhos.

Onde fazer cirurgias ginecológicas em São Paulo?

A Oya Care é uma clínica ginecológica com atendimento na cidade de São Paulo (SP) que visa oferecer atendimento acolhedor e de ponta para as pessoas do sexo feminino. Se você precisa investigar a sua saúde ginecológica ou realizar uma cirurgia, nossas profissionais estão preparadas para te orientar e te dar todo o apoio durante esse processo.

Para isso, você pode agendar uma consulta com uma médica especialista diretamente pelo nosso site. A consulta pode ser presencial, na nossa clínica, ou online, para o seu conforto. 

Outra opção é entrar em contato com a nossa equipe de cuidados pelo WhatsApp. Lá, você pode tirar dúvidas sobre orçamento e consulta e entender melhor o passo a passo para o seu caso específico.Na Oya, não acreditamos em respostas prontas e em soluções milagrosas. Em vez disso, apostamos em informações transparentes e em uma análise de saúde personalizada. Vamos juntas?

ESCRITO POR

Dra. Juliana Sperandio

REVISADO POR

Dra. Juliana Sperandio

A Dra. Juliana Sperandio é a líder de cirurgias da Oya Care e especialista em endometriose, miomas, pólipos e cirurgias ginecológicas minimamente invasivas.

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