“Eu sou meu projeto mais longevo”, compartilha CTO da Oya Care

Em algum momento, fez sentido repensar meu trabalho e buscar um lugar que combinasse mais com o jeito que eu queria viver. Vir pra Oya Care foi mais do que aceitar uma proposta. Foi uma escolha consciente de estar num lugar que se propõe a olhar pra saúde com seriedade — no que a gente constrói e também na forma como a gente vive. Existe autonomia, cuidado e espaço pra ser quem se é. Isso importa.

Minha vida está repleta de projetos, metas ambiciosas e muita “ralação“. Mas nada disso faz sentido se estiver desconectado de mim, da minha saúde física, mental ou emocional.

Essa forma de entender a saúde — como algo amplo, intencional e conectado com o jeito de viver — não esteve sempre tão clara pra mim. Fui elaborando essa ideia com o tempo, conforme percebia que outros caminhos já não faziam sentido.

Desde cedo, estudar e trabalhar me recompensavam — e o ambiente ao meu redor sempre reforçou isso. Por um tempo, senti que estava crescendo na mesma proporção do meu esforço. Acreditei por muito tempo que o meu bem-estar viria desse movimento constante: que, se eu me esforçasse sempre, estivesse nas empresas certas, entregasse além, esse tal “mais” ia chegar.

Fiquei orgulhosa quando comecei a virar noites, assumir projetos difíceis e ocupar os fins de semana com trabalho. Sentir que eu era competente me dava um senso de “sou válida”. Lembro com carinho do momento em que comprei meu primeiro carro. Ali, senti profundamente que minha vida estava prosperando.

Em vários sentidos, trabalhar pode nos fazer prosperar mesmo. Eu consegui abrir portas incríveis e realizar coisas que sempre sonhei. Mas, em outros aspectos, fui fechando, sem perceber, muitos dos espaços que me faziam bem antes da vida corporativa. A leveza, o prazer, a curiosidade por assuntos que não envolviam código, reuniões e resultados exponenciais. Cuidar do meu corpo, me alimentar bem, ter um sono reparador, me movimentar, ter tempo de qualidade com quem eu amo… nada disso cabia na rotina.

Estar cansada e desanimada virou regra, e eu segui achando que fazia parte. Pensava que sem esforço não haveria recompensa.

Estava adoecendo e não notava. Eu via minha saúde como algo que já me era dado, como se fosse automática. Bastaria ir ao médico de vez em quando, fazer uns exames e pronto. Eu não pensava que exigisse cuidado, intenção ou espaço pra existir.

Mas com o tempo, adoecer deixou de ser algo imperceptível. Ganhei muito peso e, mais do que isso, perdi ainda mais energia. Vieram crises respiratórias, tonturas sem explicação, idas ao hospital. Fiz exames, passei por médicos, mas nenhum diagnóstico dava conta daquilo tudo. A sensação era de desalinhamento. Aos poucos, comecei a perceber que esse modo de viver me desalinhava de quem sou plenamente.

Mas onde foi que me desconectei?

Quando eu era criança, gostava da escola, era a “nerdzinha”, mas também tinha muito espaço pra outras coisas. A escola era minha única obrigação, mas a vida ativa sempre esteve ali, de um jeito leve. Eu pratiquei esportes, andei de bicicleta na rua, subi em árvore, corri e me movi o tempo todo. Me sentia animada, viva, curiosa com o que estava por vir. Não era performance — era só o jeito que eu era. Eu mesma, ativa, interessada, com energia sobrando. Eu me sentia bem comigo mesma, animada pra sonhar, viver e experimentar.

Quis me reaproximar dessa vida leve quando decidi voltar a jogar vôlei, um esporte que sempre fez parte da minha história.

Era um passo quase óbvio. Eu estava procurando me reconectar com algo que amo e me faria bem. Era muito simples, mas ainda assim não foi nada fácil. Na hora de colocar em prática, me senti culpada. Parecia que aquilo era coisa de criança. Como se, nessa vida adulta de gente eficiente, abrir espaço pro esporte fosse irresponsável. A culpa bateu forte quando precisei sair de uma reunião ou outra pra estar no treino às 19h. Será que iam me achar menos competente por isso?

Foi desconfortável aceitar que esse desejo era meu. Mas era. Eu sou assim — uma pessoa que gosta de se movimentar, de se divertir, de aprender coisas novas, de fazer algo só pelo prazer de fazer. E tá tudo bem. Mesmo que eu nunca vá ser a melhor jogadora da quadra, eu gosto de estar lá. E isso tem valor.

Esse passo aos poucos puxou outros. Vendi meu carro quando aceitei que dirigir no dia-a-dia me deixava mais estressada e comecei a priorizar andar a pé ou de bicicleta. Eu gosto de andar de bicicleta, sabe? É gostoso, você vê a cidade, o corpo se mexe.

Me machuquei algumas vezes jogando vôlei. Sofri, achei que não ia mais ser a mesma. De certa forma, aquilo me mostrava que meu corpo tinha mudado. Mas depois de sofrer, chorar e me revirar um pouco, percebi que só precisava fazer musculação mesmo.

Comecei terapia quando senti que minha mente precisava de cuidado. Aprendi o que significa comer bem pra mim, do meu jeito, depois de tentar e desistir muitas vezes desse assunto. Me permiti descansar, ter tempo de qualidade.

Sabe tempo de qualidade? É quando eu sento pra tomar café da manhã com a Dani, minha esposa, sem pressa e a gente conversa sobre como vai ser o nosso dia. Tem dias que é só tomar o café e sair correndo, tudo bem também, mas a gente tá equilibrando cada vez mais.

Tempo de qualidade é cuidar do nosso jardim. Planejar, plantar, regar, adubar… e torcer. Algumas plantas morrem, outras florescem. A vida acontece.

Entendi que esse tempo dedicado a coisas que são minhas não era tempo perdido. Era meu tempo. Era nossa vida.

Já se passaram sete ou oito anos desde que voltei ao vôlei. Perdi 15kg nesse processo todo, um número que mostra mudanças importantes, mas o mais importante foi voltar a habitar meu corpo com presença. Me sentir bem neste corpo que sou eu.

Tento me ouvir, mesmo quando a vida aperta, mesmo quando algo escapa. Às vezes eu escuto com clareza, outras vezes menos. O que mudou é que agora eu me percebo — e volto. Reajusto.

Eu sou — e sigo sendo — o meu projeto mais longevo. Invisto nesse projeto de múltiplas facetas, com intenção de viver cada vez mais alinhada comigo.

Sobre a autora

Karoline Leite é CTO da Oya Care, onde lidera a área de tecnologia com foco na evolução dos produtos digitais. Busca manter um estilo de vida saudável — dentro e fora do trabalho.

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