Da indignação para a Esperança: Transformando a Raiva em Força de Ação

transformar a raiva poema Oyá
Poema de Oyá, retirado do livro “O Oráculo da Deusa”: inspiração e poesia para transformar a raiva

Quando me perguntam como estou, tenho usado duas frases para sintetizar um mal estar constante: “não aguento mais não aguentar mais” e “todas as mulheres em mim estão cansadas” – esse último é a tradução livre de um poema da Nayyirah Waheed.

O que a gente não aguenta varia de acordo com o dia, a semana, o mês, mas o fato é que tem sido difícil não ser atravessada por tudo de trágico e assustador que tem acontecido – e sempre está acontecendo algo assustador e trágico no mundo.

Parece estranho ignorar os horrores do noticiário, mas também não há sentido em elencar essas injustiças sabendo que não temos o poder de controlar e dar resoluções, apenas seguimos tendo mais indignação e raiva.

No livro “O Caminho do Artista”, que nada tem a ver com o contexto atual, a autora, Julia Cameron, diz que a raiva pode ser positiva se for usada como mapa.

Ela aponta onde estão nossos limites e nos ajuda a enxergar um caminho. O problema é que nas redes sociais, muitas vezes a raiva é quase um fim em si mesma, ela fica parada aqui na garganta e imobiliza pelo medo, pelo choque e pela indignação.

Como se tivesse lido esses pensamentos, a pesquisadora Sabrina Fernandes fez um chamado: 

“Para cada absurdo, existe uma alternativa contrária. Vamos nomeá-la! Quero o deleite da utopia de uma sociedade que não nos mate um pouco por dentro toda vez que lemos os jornais.”

Recebi essa mensagem como um convite a sonhar e ter esperança. 

Transformar a raiva em ações potentes

Nesse sentido, por exemplo, fico esperançosa ouvindo o podcast O Tempo Virou, da Giovanna Nader: a cada episódio, ela recebe um entrevistado para falar não só de uma crise contemporânea, mas principalmente do que está sendo feito, hoje, para contorná-la.

E olha: é muita gente legal se mexendo pra melhorar o mundo. Ouvir essas entrevistas ajuda não só a seguir a rotina com mais leveza, mas também a pensar onde pode ser nosso espaço nessa história.

Às vezes fazer o mundo (ou o dia) melhor para quem está do nosso lado, ou até mesmo para nós mesmas, basta. 

Daqui, me fortaleço com a ideia de que ajudar a levar informações legais sobre saúde pode fazer a diferença, porque vejo muita potência num mundo em que pessoas do sexo feminino sabem a verdade sobre seus corpos.

Eu também não aguento mais não aguentar mais, mas te convido a acreditar que podemos transformar essa raiva em plano de ação, através do poder das pequenas coisas.

O primeiro passo para transformar a raiva em força é cuidar de você mesma!

Ao longo da vida aprendemos uma série de habilidades voltadas para os estudos, convívio social e para o trabalho, mas e o cuidado com a nossa saúde?

Cuidar da saúde é um compromisso fundamental que devemos ter com nós mesmas ao longo de nossas vidas. A saúde abrange não apenas o bem-estar físico, mas também o emocional e o mental.

É um equilíbrio delicado que requer atenção e cuidado constantes.

Começando pelo corpo, cuidar da saúde física envolve uma alimentação equilibrada, rica em nutrientes como frutas, vegetais, proteínas magras e grãos integrais, é essencial.

Beber água suficiente, evitar o consumo excessivo de alimentos processados e moderar o consumo de álcool e cafeína também são medidas importantes.

Além da alimentação, manter-se ativo é crucial. Praticar exercícios regularmente, seja caminhada, corrida, natação, yoga ou musculação, fortalece os músculos, melhora a circulação sanguínea e ajuda a canalizar a raiva para uma ação física – dentro de um ambiente controlado.

A saúde mental não pode ser negligenciada. Praticar técnicas de relaxamento, como meditação, mindfulness ou respiração profunda, pode ajudar a reduzir os níveis de estresse.

Além disso, reservar tempo para hobbies, descanso e convívio social é fundamental para o bem-estar emocional.

Cuidar da saúde não se limita ao indivíduo. O ambiente ao nosso redor desempenha um papel crucial. Ter acesso a ar limpo, água potável e um ambiente seguro são fatores determinantes para a saúde de uma comunidade.

Não podemos esquecer da importância de exames médicos regulares. Consultas periódicas com profissionais de saúde permitem a detecção precoce de doenças e o monitoramento de condições crônicas, o que é essencial para uma intervenção eficaz.

O SOS Gineco, por exemplo, te ajuda a colocar seu bem estar como prioridade e é seu aliado para os perrengues do dia a dia. Facilitamos o acesso a uma equipe médica qualificada, por um valor que cabe no seu bolso.

Revolta com a falta de respostas: precisamos MUITO falar sobre endometriose

Por muito tempo acreditou-se que boa parte das dores e queixas das mulheres era causada pelo útero, mais especificamente por uma doença misteriosa chamada “sufocação do útero“.

Essa “doença” fazia o útero sair de seu habitat natural para passear pelo corpo, sufocando os outros órgãos e provocando o caos.

Hoje sabemos que essas crenças eram construídas pelos vieses que a medicina tinha em relação às mulheres, além da falta de informações concretas sobre o corpo feminino.

Esse legado de desconhecimento ainda hoje gera atrasos de diagnóstico em uma doença relativamente comum, gerando dor, frustração, um pouco mais de dor e muita revolta.

A endometriose desafia os profissionais de saúde e leva 1 em cada 10 pessoas com útero a conviver com dores intensas e debilitantes.

Atualmente, é a principal causa de infertilidade feminina e afastamento profissional de quem é atingido por ela, e, por isso, foi considerada recentemente uma questão de saúde pública pela Organização Mundial Saúde.

Informação é nossa ferramenta preferida por aqui para iniciar mudanças, e não poderia ser diferente no caso da endometriose. Fica aqui nosso lembrete: sentir dor não é normal.

Autocuidado é revolucionário!

Em meio ao caos recente, a ideia de autocuidado pode parecer fútil. Isso me lembra de uma frase de Audre Lorde – poeta e escritora americano-caribenha: “Cuidar de mim mesma não é auto indulgência, é uma autopreservação”.

A frase está nos diários que ela escreveu quando descobriu um câncer no fígado.

Sabendo que teria poucos anos de vida, com ou sem tratamento, Audre Lorde optou por não operar o tumor e apenas fazer tratamentos para aliviar os sintomas em nome de ter mais qualidade de vida.

É nesse contexto que ela fala do cuidado consigo mesma, que passa pela autonomia em escolher como viver e o que significava, para ela, estar viva.

Apesar do tema pesado, os diários de Lorde não são tristes. Pelo contrário: eles transbordam vida, energia e encantamento pelo mundo.

Ela vive o autocuidado ao respeitar seu corpo e se joga nas oportunidades de estar em comunidade, viajar, ler e ensinar, entendendo seu papel no mundo e usando sua voz e sua arte para promover as mudanças que acreditava. 

O cuidado também está presente na forma como ela é acolhida pelas pessoas ao seu redor, em especial outras mulheres negras. Para ela, isso é revolucionário.

Fica aqui o convite para conhecer o trabalho de Audre Lorde, uma inspiração pela vivacidade que sempre trouxe na sua escrita e na sua postura de defender o cuidado, a alegria e a doçura como possibilidades num contexto de violência e opressão, principalmente para quem mais sofre com elas.

transformar a raiva diários de audre lorde

A ciência comprova a sabedoria popular: quem canta seus males espanta

Pense na sua música favorita, aquela que te conecta com você e que te faz vibrar para transformar a raiva em esperança.

Essas sensações podem ser explicadas pelas análises da neuroquímica que sugerem que o estímulo musical afeta uma série de neurotransmissores ligados ao bem-estar, como a endorfina e a dopamina, os mesmos que nos dão aquele prazer gostosinho dos exercícios físicos, do sexo e até mesmo da paixão.

O mesmo vale para a dança, que beneficia o funcionamento do cérebro, as emoções, o humor, a inteligência, além de melhorar a autoestima e a confiança.

As pessoas que dançam consomem menos bebidas alcoólicas e tem menos tendência a desenvolver ansiedade, depressão, raiva, fobias, estresse e sentimentos negativos.

Pensando nisso, a equipe Oya fez uma seleção de álbuns que ajudam a extravasar sentimentos ruins, acalmar os pensamentos acelerados e provocar uma catarse gostosa, quase que uma cura para momentos difíceis e para transformar a raiva em paz interior.

Confira a lista e aperte o play!

transformar a raiva em esperança com album remonte

Remonta (Linikier e os Caramelows, 2016)

transformar a raiva em esperança com projeto ECO Brasil

Som do Útero (Projeto ECO Brasil, 2017)

transformar a raiva em esperança com album Folklore

Folklore (Taylor Swift, 2020)

A Star Is Born (Vários artistas, 2018)

AmarElo (Emicida, 2019)

Ofertório (Caetano, Moreno, Tom e Zeca Veloso, 2018)

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