8 Razões para a ciência investigar a Fertilidade Feminina

A complexidade do corpo humano e a interação de diferentes fatores biológicos, ambientais e genéticos tornam o entendimento e o exame de fertilidade feminina, grandes desafios para a nossa autonomia.

Apesar de milhões de embriões humanos terem sido criados em laboratórios ao longo do último século, a forma como eles se desenvolvem de uma única célula até se tornar um ser humano completo ainda é confusa para a ciência. 

Existem várias razões que explicam a falta de pesquisas substanciais sobre a biologia básica por trás da formação dos bebês.

O grande mistério da vida, de acordo com a ciência é que “É difícil para os cientistas até mesmo se envolverem em inovações na fertilização in vitro e superarem os casos realmente desafiadores de infertilidade…” diz Amander Clark, da UCLA.

Algumas das dificuldades que a ciência enfrente são:

1. Complexidade Biológica

O nosso sistema reprodutivo é extremamente complexo.

Afinal, envolve não apenas os órgãos reprodutivos, mas também a interação de hormônios (como o estrogênio e a progesterona), a qualidade dos óvulos, o ciclo menstrual e outros processos corporais.

Cada mulher é biologicamente única, e entender todas essas variáveis individualmente e em conjunto ainda é tarefa difícil mesmo com a tecnologia atual.

2. Influências Ambientais e Estilos de Vida

Fatores como dieta, estresse, poluição e exposição a substâncias químicas impactam a fertilidade.

Esses fatores variam entre diferentes populações e até entre indivíduos, e é difícil mapear exatamente como cada um deles afeta a fertilidade ao longo do tempo.

3. Influência Genética

A genética desempenha um papel importante na fertilidade, mas os cientistas ainda estão descobrindo quais genes estão envolvidos e como eles funcionam.

Algumas condições genéticas podem afetar a capacidade de uma mulher de engravidar, mas a pesquisa nessa área ainda está em progresso.

4. Fatores Desconhecidos no exame de fertilidade feminina

Existem fatores que os cientistas ainda não conseguiram mapear ou entender completamente, mesmo com a disponibilidade do exame de fertilidade feminina.

Algumas mulheres podem ter dificuldades para engravidar, mesmo quando todos os exames parecem normais, e a ciência ainda não sabe explicar o porquê.

5. Fatores de Saúde e Doenças

Condições como a endometriose, síndrome dos ovários policísticos (SOP) e distúrbios imunológicos ainda não são completamente compreendidas.

Essas condições também afetam a fertilidade, mas suas causas e mecanismos exatos ainda estão sendo estudados.

6. Limitações Técnicas

As ferramentas e tecnologias atuais usadas para estudar a fertilidade ainda são limitadas.

Mesmo com avanços em imagens e testes hormonais, há aspectos do ciclo reprodutivo feminino que ainda não podem ser medidos ou observados com precisão total.

Mas por que (ainda) sabemos tão pouco sobre fertilidade feminina e reprodução humana?

Apesar de todos os desafios da ciência para entender mais sobre o assunto, é vísivel que a demanda existe, mas não é priorizada.

Por que a ciência não se aprofunda na investigação, pesquisas e exame de fertilidade feminina?

exame de fertilidade feminina questões femininas

1) Fertilidade e reprodução humana são vistas como “questões femininas”…

Assim como outros temas ligados à saúde das pessoas do sexo feminino, eles também não ganham atenção suficiente da ciência.

Por séculos, apenas os corpos masculinos serviam de objeto de estudo da medicina, enquanto as particularidades do corpo feminino eram consideradas muito complexas ou irrelevantes.


2) Os materiais de pesquisa são escassos apesar dos dados obtidos com o exame de fertilidade feminina

Para entender como óvulos, espermatozoides e embriões se comportam, cientistas precisam usar materiais doados – o que não é simples de encontrar.

Usar embriões para pesquisa é um tema controverso, disputado por diferentes segmentos da sociedade, com regras diferentes para cada país, o que não facilita o trabalho de nenhum cientista.


3) A infertilidade não é considerada uma condição grave

Doenças que ameaçam a vida, como o câncer, atraem muito mais pesquisa e recursos do que uma condição como a infertilidade, ainda vista por muitos como menos importante.

Foi só em 2017, por exemplo, que a Associação Médica Americana deu a ela o status de doença.

O setor farmacêutico também tem pouco a ganhar com soluções de fertilidade e, por isso, não há interesse em investir nas pesquisas da área.


exame de fertilidade feminina fertilização in vitro

4) O “obstáculo” da Fertilização in Vitro

Apesar de ter mudado a vida de muitas pessoas, o desenvolvimento da Fertilização in Vitro contribuiu para desacelerar a busca por soluções para a infertilidade. 

Apesar de não ser uma alternativa garantida, o fato de já existir uma solução para quem não pode ter filhos naturalmente torna a questão menos urgente aos olhos do mercado.


exame de fertilidade feminina foco do problema

5) Estamos olhando para o problema errado

Outra confusão causada pelo advento da FIV vem do fato do procedimento não ser uma solução pensada para a principal causa de infertilidade hoje, que é a mudança de comportamento dos casais, que estão adiando cada vez mais o momento de ter filhos.

Nesse sentido, o que precisamos é de mais pesquisas focadas em entender como desacelerar o declínio natural da fertilidade feminina ou otimizar a qualidade dos nossos gametas.


exame de fertilidade feminina soluções para reprodução

6) O que está sendo feito para mudar o cenário?

Apesar de termos um longo caminho a percorrer, existem motivos para o otimismo e o principal deles está nas pesquisas com células tronco.

Elas podem viabilizar a criação de óvulos e sêmen em laboratório para que os cientistas possam entender como essas células se comportam e como elas se desenvolvem sem depender exclusivamente de materiais doados.

Esse tipo de técnica pode funcionar como uma importante ferramenta de para que os estudos sobre infertilidade possam se desenvolver.

Portanto, em vez de focar em otimizar procedimentos, como acontece com a FIV, é possível entender a base dos fenômenos biológicos para, então, chegar a novas soluções.

O poder da Fertilidade, de volta nas suas mãos

A técnica da Fertilização in Vitro não surgiu de insights sobre como a fertilidade funciona ou poderia ser melhorada.

Na verdade, surgiu da necessidade de uma mudança que maximizasse as chances de fertilização e, em seguida, de fazer repetidas tentativas de implantação e gravidez. 

Seu sucesso veio do aprendizado de como extrair óvulos, reconhecer embriões viáveis e transferi-los para o útero.

Apesar de toda dificuldade em entender a fertilidade feminina, melhorar métodos de fertilização proporciona mais poder de escolhas para a mulher ter um futuro fértil.

Qual exame de fertilidade feminina deve ser feito para iniciar o planejamento reprodutivo?

Avaliar a fertilidade feminina pode envolver uma série de exames e testes a fim de entender o funcionamento do sistema reprodutor e as causas de dificuldades em engravidar.

Ou apenas para certificar que está tudo bem com seu corpo e começar seu planejamento fértil.

Com apoio da nossa equipe médica, abaixo listamos os principais exames recomendados para verificar a fertilidade feminina:

1. Exames Hormonais

Os exames de sangue são usados para medir os níveis de hormônios essenciais para a função reprodutiva:

  • FSH (Hormônio Folículo-Estimulante): Avalia a função ovariana e a produção de óvulos;
  • LH (Hormônio Luteinizante): Importante para a ovulação;
  • Estradiol: Indica a função dos ovários e a qualidade dos óvulos;
  • Progesterona: Avalia se houve ovulação;
  • TSH (Hormônio Estimulante da Tireóide): Verifica a função da tireoide, que pode afetar a fertilidade;
  • Prolactina: Níveis altos podem interferir na ovulação;
  • AMH (Hormônio Anti-Mülleriano): Estima a reserva ovariana (quantidade de óvulos).

2. Ultrassom Transvaginal

Avalia a estrutura dos ovários e do útero, detectando possíveis cistos, miomas, e a presença de folículos nos ovários.

3. Histerossalpingografia (HSG)

Um exame de raio-X com contraste que verifica se as tubas uterinas estão abertas e se o formato da cavidade uterina é normal.

4. Teste de Reserva Ovariana

O teste da reserva ovariana geralmente é feito com a medição do AMH e uma contagem de folículos antrais por ultrassom, verificando a quantidade de óvulos disponíveis.

5. Biópsia Endometrial

Um pequeno tecido é retirado do revestimento do útero para verificar se o endométrio está se desenvolvendo corretamente e é adequado para a implantação do embrião.

6. Histeroscopia

Um exame com câmera inserida no útero para verificar visualmente anormalidades, como pólipos ou aderências.

7. Exames Genéticos

Caso haja histórico de abortos ou problemas genéticos na família, exames genéticos podem ser recomendados para detectar anomalias cromossômicas.

8. Testes de Infecções

Infecções como clamídia ou gonorreia podem afetar a fertilidade. Exames periódicos para detectar essas doenças sexualmente transmissíveis são importantes.

9. Avaliação da Ovulação (Teste de Ovulação)

Pode ser feito em casa com kits de ovulação que medem o aumento do hormônio LH ou com monitoramento médico.

Portanto, se estiver buscando uma avaliação mais específica ou tiver dúvidas sobre quais exames fazer, é importante conversar com um ginecologista ou especialista em reprodução assistida.

Eles poderão orientar conforme o histórico de saúde e necessidades individuais.

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