Quais são os cânceres mais comuns em mulheres? Conheça 4!

No mês de outubro, comemora-se o Outubro Rosa, uma campanha nacional de conscientização sobre o câncer de mama. Além de alertar sobre prevenção e diagnóstico, essa ação coletiva traz para o centro do debate um dado cada vez mais relevante: o câncer de mama é, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), um dos mais comuns na população do sexo feminino.

No entanto, ele não é o único que se destaca entre essa população. A Estimativa do Câncer no Brasil deste ano, feita pelo INCA, inclui outros três na lista de incidências recorrentes: o câncer de pele, o colorretal e o do colo do útero. 

Pensando nisso, e levando em consideração os impactos que o tratamento de câncer tem na nossa fertilidade, a Oya reuniu informações sobre alguns dos cânceres mais comuns em mulheres. Neste conteúdo, você aprende mais sobre prevenção, diagnóstico e riscos. Vamos juntas?

#1 Câncer de pele não melanoma

De acordo com o relatório mais recente do Instituto Nacional do Câncer (INCA), o câncer de pele não melanoma (ou seja, aquele que não acontece nas células de melanina) é o mais recorrente no Brasil, e também na população feminina. Cerca de 31,3% da população brasileira recebeu este diagnóstico ao longo do último ano.

Este câncer ocorre principalmente nas áreas do corpo que ficam mais expostas ao sol, como é o caso do rosto, pescoço e orelhas. Daí a importância de usar protetor solar todos os dias, mesmo quando a sua exposição ao sol não é tão intensa, e de reaplicá-lo periodicamente. 

O principal sintoma do câncer de pele não melanoma é o aparecimento de manchas que coçam, ardem, descamam ou sangram, de coloração multivariada, além de feridas que não cicatrizam. Nesse caso, deve-se procurar um dermatologista com urgência.

Além disso, se você tem algum parente de primeiro grau com câncer de pele, vale a pena ser avaliada anualmente pela sua ginecologista, para realizar exame preventivo de pele e identificar eventuais pintas que precisam ser investigadas. 

O diagnóstico é feito pelo dermatologista e pode demandar a realização de alguns exames, como a biópsia da pele. O tratamento, por sua vez, pode variar de acordo com o diagnóstico do paciente, mas em geral envolve a cirurgia. Felizmente, o índice de cura do câncer de pele é bastante positivo. 

#2 Câncer de mama

O câncer de mama atinge cerca de 10,5% da população feminina do país, sendo o câncer mais comum em mulheres (depois do câncer de pele não melanoma, que também atinge a população masculina). De acordo com o relatório do INCA, são 74 mil novos casos previstos até 2025.

O diagnóstico é feito a partir do exame das mamas em uma consulta ginecológica, para mulheres de até 40 anos, ou a partir do exame mamográfico para mulheres de 40 anos ou mais. De acordo com a Lei n. 11.664/2008, é função do Sistema Único de Saúde assegurar a realização desse exame para todas as mulheres a partir de 40 anos. 

Além disso, o autoexame, apesar de não substituir o exame clínico, também pode auxiliar na identificação de cistos ou nódulos que devem ser examinados com mais atenção.

Apesar da recomendação de idade para a mamografia, é importante ter em mente que qualquer alteração nas mamas, em qualquer momento da vida, deve ser avaliada por um profissional. Os sintomas mais comuns do câncer de mama incluem:

  • A presença de caroços na mama ou axila;
  • Inchaço ou vermelhidão na pele das mamas;
  • Saída de líquido pelo mamilo;
  • Alterações incomuns nas mamas.

Os tratamentos variam de acordo com o estágio do câncer. Além da cirurgia, a paciente pode ser submetida a sessões de radioterapia, quimioterapia e hormonioterapia, caso seja necessário.

Vale lembrar que as chances de cura do câncer de mama são bastante altas quando descoberto em estágios iniciais: cerca de 90% das pacientes têm uma recuperação completa. Daí a importância de realizar os exames ginecológicos com frequência.

Como realizar o autoexame das mamas?

Apesar de não ser considerado um método de rastreio de câncer de mama, uma vez que não é capaz de realizar um diagnóstico precoce, o autoexame das mamas pode ser realizado a qualquer momento. Ele é fundamental para que a pessoa do sexo feminino conheça melhor o seu corpo de maneira complementar aos exames de imagem. 

Existem três formas de realizar o autoexame. Lembre-se: mesmo nódulos benignos, comuns em pessoas que lidam com a síndrome do ovário policístico, por exemplo, devem ser investigados com mais atenção por uma médica ginecologista.

1. Autoexame de mamas em frente ao espelho

Depois de se posicionar diante do espelho, você deve:

  1. Observar ambos os seios, com os braços abaixados;
  2. Colocar as mãos na cintura e fazer força;
  3. Colocar as mãos atrás da cabeça e observar a posição, tamanho e forma dos mamilos;
  4. Pressionar levemente os mamilos para observar se há saída de secreção.

2. Autoexame de mamas em pé

Durante o banho ou em qualquer momento do dia, para fazer o autoexame em pé você deve:

  1. Levantar o braço esquerdo e apoiá-lo sobre a cabeça;
  2. Com a mão direita esticada, examinar toda a mama esquerda: desde a região mais próxima às axilas até a área em volta do mamilo. Para isso, use a polpa dos dedos (aquela “almofadinha” dos dedos);
  3. Repita o processo na outra mama.

Lembre-se de fazer movimentos circulares, de cima para baixo, durante o autoexame. Além disso, não se apresse: preste bastante atenção durante a sua análise.

3. Autoexame de mamas deitada

Para realizar o autoexame deitada, você deve:

  1. Colocar uma toalha dobrada sob o ombro do mesmo lado da mama que será examinada. Ou seja: se vai examinar a mama direta, a toalha fica embaixo do ombro direito;
  2. Sentir toda a extensão da mama com movimentos circulares, fazendo uma leve pressão;
  3. Repita o processo na outra mama.

Câncer de mama e adiamento da maternidade: tem relação?

Sim e não. A gente explica melhor: alguns estudos sugerem que o adiamento da maternidade pode ser um dos fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de mama gestacional — ou seja, aquele que aparece durante a gravidez ou em até um ano após o parto. 

A razão para isso estaria ligada ao estímulo hormonal: um dos fatores relacionados ao surgimento do câncer de mama (especialmente os cânceres com receptores hormonais positivos, ou seja, que crescem mais rápido porque estão “ligados” à produção de hormônios) é a exposição prolongada ao estrogênio sem contraposição da progesterona (o hormônio da gestação). 

Nesse sentido, quanto mais adiamos a maternidade, maior a nossa produção de estrogênio e menor a nossa produção de progesterona. Por isso, mulheres que não engravidaram podem ter risco aumentado para desenvolverem câncer de mama. 

Já os cânceres relacionados à gestação, quando ocorrem, na maior parte das vezes são de um subtipo específico, com receptores hormonais positivos para progesterona e/ou estrogênio. Na gestação, há um aumento expressivo de progesterona circulando no corpo (chamamos de hormônio da gestação, “pró- gesta”, justamente por ser um dos principais hormônios que mantêm a gestação).   Dessa maneira, a progesterona se liga aos receptores celulares em pacientes pré-dispostas, e há um aumento descontrolado de crescimento celular, que pode ocasionar o surgimento de células malignas.

Mas atenção! Isso não significa que todas as mulheres que escolhem engravidar mais tarde vão desenvolver câncer de mama durante ou depois da gravidez. É preciso considerar, ainda, outros fatores que também influenciam nessas chances, como estilo de vida, predisposição genética e até algumas atividades ocupacionais.

Caso você se encaixe nesses fatores de risco e está planejando uma gravidez após os 35 anos, é fundamental fazer um bom acompanhamento médico com foco em cuidado preventivo pensado de acordo com seu caso.

#3 Câncer colorretal (ou de intestino)

O câncer de cólon e reto (também chamado de câncer de intestino) atinge cerca de 6,5% da população de pessoas do sexo feminino no Brasil, de acordo com o relatório mais recente do INCA. Por isso, é considerado o terceiro tipo de câncer mais comum entre mulheres. 

Essa condição atinge sobretudo o intestino grosso, que se divide em cólon e reto. Nesse sentido, o câncer colorretal é aquele que tem origem na mucosa que reveste o intestino grosso. Sua formação pode ser bastante lenta, e em geral tem origem em pequenas lesões na região.

Graças a isso, esse é um tipo de câncer que não apresenta sintomas em seus estágios iniciais. O diagnóstico precoce só é possível por meio de colonoscopias periódicas, que devem ser realizadas a partir dos 45 anos (para quem possui histórico da doença na família, a depender da avaliação individual de cada caso, é indicado adiantar a realização da colonoscopia). No entanto, conforme progride, o câncer colorretal pode causar sangramentos e obstruções intestinais, de modo que é importante ficar atenta a:

  • Presença de sangue nas fezes;
  • Dores ao evacuar;
  • Quadros de diarreia ou prisão de ventre que não apresentam melhora;
  • Mudanças no apetite;
  • Perda de peso inexplicável.

O tratamento, assim como em outros tipos de câncer, depende do estágio da doença e só pode ser indicado por um médico especialista. Por isso, caso apresente um ou mais sintomas, procure ajuda profissional o mais rápido possível. Com o diagnóstico precoce, as chances de cura do câncer colorretal são de cerca de 90%.

#4 Câncer de colo do útero

O câncer de colo do útero é causado principalmente pelo Papilomavírus Humano, popularmente conhecido como HPV, uma infecção sexualmente transmissível. Desde 2014, a vacina contra o HPV, principal forma de prevenção desse tipo de câncer, está disponível gratuitamente em postos de saúde para pessoas do sexo feminino de 9 a 13 anos, e também pode ser encontrada em laboratórios particulares, para meninas acima desta idade. 

A profilaxia pela vacina é eficaz mesmo para pessoas com vida sexual ativa que não se vacinaram na adolescência — ou seja, que possuem mais chances de já terem entrado em contato com o vírus. Existem mais de 100 cepas de HPV identificadas e a vacina mais recente (nonavalente), que chegou ao mercado neste ano, aumenta em até 90% a prevenção contra o câncer de colo de útero.

Associado à vacina do HPV, o exame papanicolau é o método mais eficaz para o diagnóstico precoce do câncer de colo do útero. Parte indispensável dos exames ginecológicos, o papanicolau possibilita a identificação de lesões na região da vagina e do colo do útero, o que pode acender um alerta vermelho.

Na fase inicial, pode ser que o câncer de colo do útero não apresente sintomas. Conforme avança, porém, a pessoa pode manifestar:

O diagnóstico é feito em consultório ginecológico e o tratamento varia de acordo com o estágio do câncer e de fatores individuais. O lado positivo é que a mortalidade por câncer de colo do útero é baixa e, quando diagnosticado precocemente, as chances de cura são de 100%.

Qual o papel da ginecologista no diagnóstico e prevenção do câncer em mulheres?

Você reparou que três dos quatro tipos de cânceres mais comuns em mulheres podem ser identificados em exames ginecológicos? Quando falamos da importância do profissional de ginecologia no diagnóstico e prevenção do câncer em mulheres, é sobre isso que estamos falando.

Contar com uma ginecologista atenta e acolhedora nos dá mais segurança para compartilhar informações pessoais e mudanças no nosso corpo, o que pode ajudar a perceber sintomas fora do comum. Da mesma forma, essa profissional é a responsável por investigar a nossa saúde íntima, o que inclui fazer exames periódicos, avaliar a mucosa da nossa vulva e vagina e, em caso de suspeitas, conduzir uma investigação mais minuciosa. 

Se você ainda não tem uma ginecologista de referência ou não possui o hábito de ir em uma com frequência, é hora de começar a buscar esse atendimento especializado. E, para isso, você pode contar com a Oya Care!

Agora que você já sabe quais são os cânceres mais comuns em mulheres e qual é o papel da ginecologista neste combate, aproveite para entender melhor quais são os exames ginecológicos de rotina e por que eles são tão importantes. Vamos juntas!

ESCRITO POR

Dra. Juliana Sperandio

REVISADO POR

Dra. Juliana Sperandio

A Dra. Juliana Sperandio é a líder de cirurgias da Oya Care e especialista em endometriose, miomas, pólipos e cirurgias ginecológicas minimamente invasivas.

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