Michelle Obama: ela escolheu não ser presidente

Vivemos em um mundo onde, felizmente, meninas não são mais criadas para serem princesas, mas sim presidentes. Se esse, hoje, é um ideal de poder supostamente almejado por todas, por que alguém com reais possibilidades de chegar lá recusaria essa oportunidade?

É essa uma pergunta que Michelle Obama, ex-primeira dama dos Estados Unidos, responde há mais de dez anos.

Quando Joe Biden decidiu se afastar da disputa presidencial, o nome de Michelle Obama esteve entre os mais cotados para substituí-lo na disputa. Em várias pesquisas, ela aparecia, inclusive, como o único nome capaz de vencer Donald Trump nas urnas.

No entanto, quando questionada sobre o assunto, sua resposta é sempre a mesma: não, ela não tem intenção de concorrer à Presidência dos Estados Unidos, não tem interesse pela política partidária e prefere ajudar o país através de outras vias.

“Será que o que eu quero faz diferença?”

Sua escolha não é baseada em falta de capacidade ou apoio. Pelo contrário: Michelle Obama construiu uma carreira sólida antes mesmo de entrar no cenário político ao lado de seu marido, o ex-presidente Barack Obama.

Formada em Direito por Harvard, começou sua trajetória profissional em escritórios de advocacia, onde se destacou pela competência e ética de trabalho. Michelle trabalhou também na prefeitura de Chicago, cidade onde nasceu, e em organizações sem fins lucrativos, onde seu foco era criar oportunidades educacionais e de desenvolvimento comunitário.

Ao se tornar a primeira-dama, Michelle Obama não foi apenas uma figura decorativa ao lado do presidente. Ela aproveitou a visibilidade para lançar programas e iniciativas de grande impacto social, como a campanha Let’s Move!, que incentivou a prática de atividades físicas e a alimentação saudável para combater a obesidade infantil nos Estados Unidos.

Além disso, lançou o Reach Higher Initiative, que encorajava jovens americanos a buscarem educação superior, seja em faculdades, universidades ou cursos técnicos.

Mesmo com sua popularidade e apelo público, Michelle sempre foi categórica ao afirmar que sua vocação não era para a política partidária. Em diversas entrevistas, ela explica que seu maior interesse está em impactar as comunidades através de ações diretas e não pela estrutura rígida e desgastante da máquina pública.

A escolha de honrar os próprios desejos

Em seu livro de memórias Minha História, que se tornou um best-seller internacional, ela fala extensamente, de formas diretas e indiretas, sobre os motivos que a levam a não ter interesse no cargo de presidente.

Em suas próprias palavras, ela revela os desafios de manter um equilíbrio entre sua vida pública e privada, e como a experiência de estar sob os holofotes influenciou sua decisão de não se candidatar. Em diversos momentos, o fato de seu marido ser o presidente se mostrou quase insustentável diante de seu papel como pai e marido. 

Não sabemos se é brincadeira ou não, mas o próprio já declarou algumas vezes que sair da presidência significava, também, fazer um voto pela saúde do seu casamento e pela qualidade de vida de toda a sua família. 

Escolhendo a si mesma

Em 2023, Michelle Obama foi contundente a respeito de sua recusa em uma entrevista com Oprah Winfrey: “será que o que eu quero faz alguma diferença? Será que alguém se interessa por quem escolhi ser?”.

Essa declaração serve de afirmação não só para sua recusa em ser presidente, como também dos próprios desejos e da própria identidade, na contramão das expectativas sociais. 

Por muito tempo, desejar ser presidente de um país ia diretamente contra o que a sociedade esperava de uma mulher. Contudo, o fato de nosso horizonte de possibilidades ter se expandido não significa, necessariamente, que todas as mulheres precisam desejar as mesmas coisas ou que as mudanças sociais relevantes só podem ser conquistadas através de uma única via. 

Dizer “sim” diante das oportunidades da vida pode ser transformador – assim como dizer “não”. Ao fazer isso, pode ser que você esteja escolhendo a si mesma. 

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