HPV: Conheça sintomas, formas de transmissão e tratamentos

De acordo com o Ministério da Saúde, o câncer de colo de útero é o segundo tipo de câncer mais frequente em mulheres. Um dos seus principais fatores de risco é a infecção pelo papilomavírus humano, o HPV

Para minimizar os riscos de câncer, é fundamental entender o que é o HPV e quais são os seus principais sintomas e formas de transmissão. Pensando nisso, a Oya Care elaborou um conteúdo completo sobre o assunto. Confira!

O que é o HPV?

O Papilomavírus Humano, popularmente conhecido pela sigla HPV, é uma infecção sexualmente transmissível que afeta a pele ou as mucosas, provocando verrugas nas regiões genitais e no ânus. Em alguns casos, a presença do vírus, quando não tratada, também pode levar a casos de câncer. 

O HPV é um agente responsável por cerca de 50% dos cânceres humanos causados por vírus. O mais comum é o câncer do colo do útero, doença que mata cerca de 300 mil mulheres por ano. No entanto, o HPV também está associado ao desenvolvimento dos cânceres anal, de vulva, de vagina, de pênis e de orofaringe.

O Ministério da Saúde estima que haja, atualmente, entre 9 e 10 milhões de pessoas infectadas pelo HPV no Brasil. Os novos casos por ano ultrapassam os 700 mil.

Para uma doença que possui formas bem conhecidas e eficazes de prevenção (inclusive pela vacinação!), além da possibilidade de diagnóstico ainda em estágios iniciais, esses números são alarmantes. Daí a importância de conhecer mais profundamente o HPV e seus efeitos no nosso corpo e rotina.

Quais são os tipos de HPV?

Hoje, são conhecidos mais de 150 tipos de vírus do HPV. Por isso, estima-se que cerca de 80% das pessoas sejam portadoras em algum momento das suas vidas, em geral sem que haja risco à saúde ou manifestação de sintomas.

De acordo com os dados do Ministério da Saúde, os tipos 16 e 18 estão presentes em 70% dos casos de câncer do colo do útero. Já os tipos 6 e 11 são encontrados em 90% das verrugas genitais e da garganta, os chamados “papilomas laríngeos”, considerados benignos.

Quais são os sintomas do HPV?

Na maioria das pessoas, o HPV não apresenta sintomas. Essa é uma IST que pode ficar latente (ou seja, “adormecida”) durante meses e até anos no nosso organismo, sem que seja identificada. 

No entanto, a partir de uma baixa na nossa imunidade, a multiplicação do HPV pode ter início e desencadear o aparecimento de alguns sintomas. São eles:

  • Aparecimento de verrugas (condilomas acuminados): aparecem na região genital (pênis e vagina) e ânus. Podem aparecer sozinhas ou em maior número, e seus tamanhos também variam. Sua aparência pode ser mais achatada ou elevada e sólida, e, em geral, são assintomáticas, ou seja, não doem ou coçam. Há casos, ainda, em que as lesões aparecem na boca e garganta. 
  • Lesões subclínicas: assim como as verrugas, podem se dar na região genital e ânus, mas não são visíveis a olho nu e não apresentam sintomas. 

Em pessoas com pênis, as verrugas costumam aparecer na região da glande e no ânus. Em pessoas com vagina, podem ser afetadas a vagina, vulva, ânus e colo do útero. 

O aparecimento de verrugas e lesões é a principal maneira de identificar o HPV. Por isso, é fundamental realizar os exames de rotina ginecológica, para garantir que está tudo certo com a sua saúde íntima, além de dar aquela observada no corpo do crush na hora do vamos ver, já que o preservativo não garante proteção total.

No caso de pessoas do sexo feminino, o principal exame para rastreio do HPV é o famoso papanicolau, que deve ser feito inclusive em mulheres cis que se relacionam com mulheres cis, viu?

Em quanto tempo os sintomas de HPV aparecem?

Os primeiros sintomas de HPV podem levar de 2 a 8 meses para aparecer. No entanto, em algumas pessoas, esse período pode se esticar por vários anos. Para pessoas com imunidade baixa ou gestantes, as manifestações da doença costumam ser mais comuns.

Por ser uma doença em geral assintomática, os “primeiros sinais” do HPV (ou seja, as verrugas e lesões) já são considerados sintomas que exigem avaliação médica. Por isso, em caso de suspeitas, procure uma ginecologista e tenha seus exames sempre em dia!

Quais são os riscos do HPV?

O principal risco é o desenvolvimento do câncer do colo do útero, um dos mais comuns causados pelo HPV. Ele é caracterizado pelo crescimento anormal de células do colo do útero (a parte do útero que fica em contato com a vagina).

Quando há o contato com o HPV e uma baixa resposta do sistema imunológico, as células da região ficam infectadas e se multiplicam. Esse crescimento de células “anormais” pode evoluir para uma lesão pré-câncer e, quando não há diagnóstico, para um câncer

Esse processo, porém, não acontece do dia para a noite. Além de poder levar anos para que o HPV se transforme em câncer, há a presença de outros sintomas, como corrimento vaginal, dor e sangramento. Daí a importância da prevenção e do acompanhamento periódico para evitar manifestações graves da doença.

Além do risco físico, há também um risco psicossocial ligado ao HPV. Um estudo publicado na Revista Eletrônica Acervo Médico identificou que é comum que pessoas portadoras do vírus HPV relatem sentimentos de culpa, medo, raiva e impotência ao serem diagnosticadas. Além disso, não é raro sentir vergonha de compartilhar o diagnóstico com seus parceiros. 

Em pessoas que pretendem gestar no futuro, também há preocupação sobre riscos de parto prematuro e transmissão do vírus para o feto, o que aumenta o estresse durante a gravidez. O medo do câncer também é recorrente, apesar de poder ser aliviado com o diagnóstico correto do tipo de vírus.

Isso significa que o contato com o vírus e a infecção pela doença pode ter efeitos também na saúde mental dos pacientes, intensificando quadros de ansiedade e depressão. Embora a preocupação física seja maior e mais evidente, o aumento dos níveis de estresse, ansiedade e depressão podem desencadear efeitos negativos nas relações e em outras áreas da vida. 

Nesse caso, a conscientização sobre a doença pode fazer toda diferença para romper estigmas e também encorajar conversas honestas sobre o tema entre os casais.

Como o HPV é transmitido?

A transmissão do vírus do HPV se dá a partir do contato direto com a pele ou mucosa infectada. Como o aparecimento de lesões se dá principalmente na região íntima, a principal forma de transmissão se dá pela via sexual, que inclui:

  • O contato da boca com a região genital;
  • O contato entre regiões genitais;
  • O contato das mãos com a região genital.

Ou seja: a transmissão de HPV pode acontecer mesmo nos casos em que não há penetração. Isso significa que apenas usar o preservativo externo não garante proteção total contra o HPV. Por isso é importante observar o próprio corpo, realizar exames preventivos e conversar com sua parceria sobre situações em que houve algum tipo de exposição.

Por outro lado, não foi comprovada a contaminação com o vírus através de objetos compartilhados, como uso do vaso sanitário, sabonetes, toalhas e roupas íntimas. Mas isso não vale, é claro, para objetos e brinquedos sexuais, que sempre devem ser higienizados e usados com camisinha, tá?

O HPV pode ser transmitido durante o parto?

Sim. Essa é a chamada “transmissão vertical” do HPV.

Embora tenha uma frequência baixa — apenas cerca de 2,8% dos casos —, pessoas gestantes infectadas podem transmitir o vírus para o recém-nascido tanto ao longo da gestação quanto durante o parto, com a passagem do bebê pelo canal vaginal. 

Ainda assim, alguns estudos sugerem que nem a cesariana, nem o tratamento das lesões antes do parto protegem o bebê de contrair o HPV. Vale ter em mente, porém, que o contato do bebê com o vírus não indica, necessariamente, uma infecção: é comum que o organismo do bebê elimine o vírus por conta própria.

Há casos, no entanto, em que as verrugas são transmitidas para o bebê e se desenvolvem nas cordas vocais ou na laringe. Nessas situações, o recém-nascido precisa passar por tratamento.

Os cuidados com o bebê já nascido também devem ser redobrados, para evitar a transmissão nesse período, quando eles são considerados mais vulneráveis. 

Lembramos, ainda, que pessoas gestantes têm um maior índice de manifestação do HPV, graças às alterações imunológicas que acontecem durante o período da gravidez. Com a diminuição da resistência do corpo, cria-se um ambiente mais propício para a multiplicação do vírus. Por isso, não é incomum que pessoas descubram que têm HPV apenas no momento da gestação. 

O HPV tem tratamento?

Sim. Nos casos em que o HPV se manifesta como verrugas na região genital ou do ânus, existe a possibilidade de eliminar as lesões. Também há a chance de que elas desapareçam sozinhas. 

Os tratamentos pode ser:

  • Químicos, a partir do uso de substâncias tópicas (por exemplo, pomadas) que fazem com que as lesões desapareçam;
  • Cirúrgicos, nos casos em que as lesões estão em áreas que não podem ser alcançadas manualmente (como o colo do útero) ou nos casos em que é necessário um tratamento mais forte;
  • Estimuladores de imunidade, para incentivar que as lesões desapareçam “por conta própria”, a partir do fortalecimento do sistema imunológico.

O tipo de tratamento mais adequado varia de caso a caso e só pode ser definido por um profissional de saúde. Além disso, para pessoas com imunodeficiência ou gestantes, é fundamental um acompanhamento mais atento.

Como prevenir o HPV?

A vacina do HPV é a forma mais eficaz de prevenção contra o vírus. Ela é distribuída gratuitamente no SUS, mas também pode ser encontrada em laboratórios particulares. 

Mesmo se você não tomou a vacina até os 14 anos (idade máxima para imunização na rede pública) e possui vida sexual ativa, a vacinação ainda é recomendada e pode fazer toda a diferença. Essa idade “limite” é determinada porque, antes da puberdade, a chance de contaminação é menor — logo, a eficácia da vacina é maior.

Contudo, mesmo se você já tiver sido exposta ao vírus, você não está  totalmente imune. Com a infecção pelo HPV não há formação de anticorpos potentes o suficiente para te livrar das outras 100 variantes da IST. Por isso, a vacina é o método mais eficaz para ir ao cerne do problema e te proteger contra casos mais graves.‍

Vale lembrar que a vacina contra o HPV não previne infecções de todos os tipos. O seu foco é atuar nos tipos mais recorrentes do vírus, ou seja, os tipos 6, 11, 16 e 18 (no caso da vacina quadrivalente) e 16 e 18 (no caso da vacina bivalente).

Outra forma de prevenção do HPV é manter os exames de rotina ginecológica em dia. O papanicolau é o tipo de exame mais comum para identificar lesões que podem se desenvolver para o câncer do colo do útero, o que possibilita o tratamento antecipado.

Por fim, o uso da camisinha é fundamental em todas as relações sexuais para evitar a contaminação. É importante ter em mente que ela, sozinha, não impede totalmente a infecção, já que as lesões podem estar presentes em áreas que não são protegidas (como a vulva e a bolsa escrotal). Ainda assim, se você transou sem camisinha, vale a pena ficar alerta a possíveis sintomas.

O HPV pode afetar a fertilidade?

Sim. Um estudo publicado na BioMed Reserach International, foram encontradas evidências que sugerem que a presença de HPV no esperma pode ser uma causa de infertilidade masculina, o que afeta as chances de engravidar naturalmente de um casal. 

Outro estudo, publicado na revista Europe PMC, identificou resultados similares, e reforçou que a vacina contra o HPV pode ajudar a mitigar os efeitos negativos da presença do vírus na fertilidade masculina.

Além disso, diferentes pesquisas já relacionaram a presença do HPV em gestantes a diversas complicações, como o aumento do risco de aborto, de anormalidades genéticas fetais e de partos prematuros. 

Por isso, nunca é tarde para reforçar a importância de manter os exames ginecológicos em dia e buscar auxílio médico tão logo as primeiras suspeitas aparecerem.

E se eu suspeitar do HPV?

Caso você tenha tido contato com o vírus ou suspeite que possa estar com HPV, o primeiro passo é procurar o acompanhamento de uma ginecologista. Apenas um profissional da área da saúde poderá fazer todos os exames necessários e solicitar complementos laboratoriais para, então, determinar se você tem HPV ou não.

É importante pontuar que o diagnóstico rápido do HPV permite um tratamento mais assertivo, que evita que a infecção evolua para o câncer ou para outras complicações. Para saber o tipo de tratamento ideal para o seu caso, é indispensável conversar com um médico.

Se você é de São Paulo (SP), a Oya Care pode te ajudar: na nossa clínica, você tem acesso a profissionais de ginecologia especializadas, além de conforto e cuidado individualizados. Nada de julgamentos, nem de respostas prontas. E, se você precisar realizar algum exame, tudo pode ser feito diretamente na nossa clínica, no mesmo dia. Vamos juntas?



Referências bibliográficas do artigo

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BRASIL. Ministério da Saúde. Biblioteca Virtual em Saúde. Qual a relação entre HPV e câncer do colo de útero? Disponível em: https://aps-repo.bvs.br/aps/qual-a-relacao-entre-hpv-e-cancer-do-colo-do-utero/

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