Endometriose e histerectomia: quando a cirurgia é necessária?

Você já ouviu falar em histerectomia? Essa é a cirurgia ginecológica mais realizada no mundo, e, no Brasil, ela só perde para a cesárea. Ainda assim, esse procedimento não é nem um pouco inofensivo, e passar por ele pode gerar uma série de questionamentos, além de ansiedade.

Pacientes com casos de endometriose grave podem receber a indicação da histerectomia, mas isso não significa que a cirurgia tem poucos impactos psicológicos, sobretudo em quem deseja ser mãe naturalmente. Apesar da melhora nos quadros de dor, todo o processo pode ser bastante desgastante.

A Oya quer te ajudar a entender melhor quando a histerectomia se torna uma opção. Por isso, a gente vai te explicar o que é essa cirurgia e qual é a relação entre ela e a endometriose. Além disso, compartilhamos um relato super sensível da Lena Dunham, criadora da série Girls, que passou pelo procedimento aos 31 anos. Vamos juntas?

Me explica melhor: o que é histerectomia?

A histerectomia é a cirurgia de remoção do útero e, em alguns casos, também das trompas e dos ovários. Ela é exatamente o que parece: uma medida mais agressiva para lidar com questões ginecológicas mais graves. Tanto que, de acordo com dados da Fiocruz, quase 100 mulheres foram submetidas a esse procedimento no Brasil em 2021. 

As indicações para a sua realização podem ser várias: desde a presença de miomas uterinos (uma espécie de tumor benigno que cresce na parede do útero) até  o câncer de colo de útero. Além delas, a endometriose também aparece como uma doença que pode levar à histerectomia.

A cirurgia não é simples, mas em alguns casos pode ser realizada através da videolaparoscopia, técnica cirúrgica em que não é necessário abrir o abdômen da mulher. Isso faz com que a recuperação seja mais rápida, embora ainda seja necessário repouso intenso após o procedimento.

Além das implicações físicas (em geral ligadas a uma melhoria na qualidade de vida, já que as dores e complicações vividas são removidas), a histerectomia também pode ter implicações psicológicas na vida das mulheres. Afinal, a gente aprende que o nosso útero é uma parte fundamental da nossa feminilidade, né? Por isso, alguns estudos indicam que é necessário o acompanhamento psicológico antes e depois da cirurgia, para evitar repercussões negativas na saúde mental da mulher.

Como a endometriose e a histerectomia estão relacionadas?

A endometriose se caracteriza pelo crescimento de células endometriais (ou seja, que revestem o nosso útero) em lugares inadequados do nosso corpo, como outros órgãos. Em geral, esse problema ginecológico demora a ser diagnosticado, mas causa muuuitas dores e pode ter complicações mais sérias na saúde feminina.

A gente até falou sobre isso em parceria com o Dr. Jairo Bouer, lá no blog dele. Você pode ler mais clicando aqui!

O tratamento da endometriose pode ser feito de forma medicamentosa, com o objetivo de diminuir as dores e melhorar a qualidade de vida. No entanto, em alguns casos, só a cirurgia pode realmente resolver o problema. E é aí que a histerectomia entra.

A verdade é que esse é um último recurso, indicado somente em situações extremas. Uma mulher que não deseja ter filhos não pode simplesmente solicitar a realização da cirurgia, por exemplo, e precisa recorrer a outros métodos definitivos, mas menos invasivos, como a laqueadura. 

Ou seja: em alguns casos, a endometriose pode fazer com que a histerectomia seja indicada por um profissional de saúde. Mas antes é preciso pesar os riscos e os benefícios da cirurgia, bem como levar em consideração que ela é considerada uma forma de esterilização. Contar com apoio médico e psicológico durante esse processo é fundamental pra garantir que ele seja o mais tranquilo possível.

Lena Dunham e a decisão de passar por uma histerectomia aos 31 anos

Lena Dunham é uma atriz e roteirista norte-americana. Em 2018, ela contou à Vogue sobre a sua decisão de passar por uma histerectomia aos 31 anos, ou seja, ainda bem jovem. No texto, ela conta sobre como esse processo estava ligado à uma tentativa de parar de sentir as dores causadas pela endometriose severa, mas também explica os impactos psicológicos que a decisão teve em sua vida. 

A gente entende que a histerectomia nem sempre é uma opção para mulheres brasileiras. Mesmo assim, ela é uma realidade para várias pessoas. E passar pelo processo, sobretudo tão cedo, pode ser um pouco menos doloroso quando a gente conhece outras histórias. 

Por isso, traduzimos o texto da Lena publicado originalmente na Vogue. Você confere o relato na íntegra logo abaixo. Boa leitura!

“Sua pressão está baixa. Vamos medir de novo em meia hora. Existe alguma chance de você estar grávida? Não, pera, claro que não; você acabou de fazer uma histerectomia.”

A enfermeira fez uma careta constrangida enquanto aplicava meus anticoagulantes, a injeção que você recebe quando não consegue nem andar e que deixa uma constelação de hematomas no abdômen. Estou me acostumando com isso — a repetição da pergunta de praxe sobre minha fertilidade e minha resposta mais ou menos ensaiada a ela, algo divertido para que ela não se sinta mal por ter lembrado a uma mulher super jovem de uma coisa que ela não pode ter. Tentei dizer coisas como “Isso sim seria inusitado!” ou “Se esse for o caso, então eles tiraram o órgão errado ontem!”.

Na noite anterior à retirada do meu útero, a enfermeira parecia uma top model de tão bonita, sarcástica e estranha, tipo a personagem coadjuvante de uma série em que os produtores acreditam que fazê-la usar óculos de grau vai deixá-la menos bonita. Estou deitada na cama em posição fetal, abraçada a um ursinho de pelúcia, e faço ela pesquisar coisas no Google usando o computador gigante que ela carrega entre um quarto e outro para fazer anotações sobre os pacientes e checar nossa medicação. Apesar de toda a informação que tive dos meus médicos incríveis, quero saber de novo o que eles vão fazer com meu cérvix quando ele for removido, de que forma ele vai estar, pra que ele vai servir, e se [a cirurgia] vai deixar um buraco no lugar (a resposta: não). Eu peço pra ela pesquisar se uma mulher sente uma súbita queda hormonal, como uma menstruação dos infernos só que sem a parte da menstruação. Por fim, pergunto a probabilidade dos meus ovários morrerem antes que eu possa coletar meus óvulos, da menopausa tomar conta. De finalmente perder tudo.

“Existe alguma chance de você estar grávida?” ela pergunta uma última vez antes de administrar os medicamentos.

“Não depois de amanhã”, eu respondo. Queria que existisse um termo para quando ninguém gosta das suas piadas mas você continua com elas mesmo assim. 

Fico doze dias no hospital antes da minha histerectomia. Durante esse tempo, me acostumo com o suspiro de dó que vem das enfermeiras, dos médicos, das nutricionistas, do capelão ecumênico — aquela aspirada sutil quando eles olham para mim, 31 anos e carinha de 19, cabelo azul e pijama com estampa de cachorrinhos, encolhida em uma cama de hospital. Aprendo a não odiar esse suspiro. Percebo que eles só sentem muito. Sentir muito por alguém que você não conhece é algo gentil, mesmo se parece algo condescendente, como aqueles falsos sinais de empatia que personagens de reality shows demonstram (tenho assistido muito The Real Housewives nessa cama de hospital, aquele da Austrália é completamente descontrolado).

O fato é que nunca tive dúvida sobre ter filhos. Nenhuma, desde o dia em que entendi de onde vinham as famílias. E uma gravidez era o glorioso início daquela visão. Na infância, costumava enfiar uma pilha de roupas sujas dentro da minha blusa e andava pela sala radiante. Mais tarde, quando usei uma prótese de barriga para minha série de TV, cheguei a acariciá-la sem perceber com tanta naturalidade que minha melhor amiga precisou dizer que estava ficando assustada. Os homens da equipe, sempre focados em suas tarefas, eram muito mais doces e cuidadosos comigo. Eles me olhavam como se eu estivesse carregando o Messias, ainda que minha barriga fosse feita de silicone vindo direto do Japão. Sentia o poder inato da gravidez e ficava ansiosa pelo momento em que minha barriga cresceria naturalmente, sem precisar ser feita do mesmo material que próteses para os seios.

Mas eu também tinha outra certeza, tão intensa quanto meu desejo por um bebê: a de que havia algo errado com meu útero. Eu poderia sentir de forma profundamente específica, ainda que sem provas, apesar de tantos exames e de tantas conversas com médicos. Eu simplesmente sentia que havia recebido um útero defeituoso.

Apesar de já ter lutado com a endometriose por uma década e estar caminhando para meu nono procedimento cirúrgico, nenhum médico me confirmou isso. Eles já disseram que tenho chances um pouco maiores de sofrer um aborto. Eles já disseram para não esperar demais para “mandar ver”. Mas durante mais de 40 ultrassons transvaginais, em que sou forçada a encarar o vazio negro do meu útero, eles sempre dizem coisas como “Olha só esses folículos ovarianos! É melhor tomar cuidado para não engravidar na próxima semana!”. O objetivo deles é preservar minha fertilidade. É isso que eles consideram ser seu trabalho. Eu dou risada e sorrio, mas eu sei que aquele espaço vazio, o buraco negro que é um útero vazio capturado na tela, é a única coisa que vou ver. 

Em agosto a dor fica insuportável. Estou delirando de dor e os médicos não conseguem explicar [o que está acontecendo]. O ultrassom não apresenta cistos, fluidos e obviamente nenhum bebê. Mas isso não muda o fato de que está doendo tanto que as vozes humanas ao meu redor se transformaram numa espécie de música dos Teletubbies sem sentido. Com esse tipo de dor, nunca vou ser capaz de ser a mãe de alguém. Mesmo se eu pudesse engravidar, não haveria nada que eu pudesse oferecer.

@oya.care

Já reparou que quando estamos chateadas, nervosas ou bravas, perguntam se estamos “naqueles dias”? Séculos se passaram, mas parece que para a sociedade ainda somos reféns dos “males do útero”, que lá atrás foram a desculpa para afastar as mulheres da vida pública e usados até mesmo como argumento para isolar e assassinar mulheres. Vem com a gente entender melhor a origem desses mitos! Já conhece a Oya? Use o cupom TIKTOK para ganhar 10% off na sua consulta

♬ Sweet Sunset – Tollan Kim & dulai

De agosto a novembro tento desesperadamente lidar com esse novo patamar de dor. Tento tanto que isso se torna um segundo emprego. Faço terapia de assoalho pélvico, massagem terapêutica, terapia para dor, cromoterapia, acupuntura, yoga, além de uma breve, porém aterrorizante, experiência de massagem vaginal com uma estranha. Estou determinada a manobrar o que quer que esteja me comendo por dentro. Mas só posso correr dentro de um limite com esses blocos de cimento presos nos meus pés. Enfim pergunto para minha médica se preciso tirar meu útero. Ela diz: “vamos esperar para ver.”

Dois dias depois (minha definição do que significa “esperar para ver”; não sou uma garota paciente), me interno no hospital e anuncio que não vou sair enquanto não fizerem a dor passar ou não removerem meu útero de vez. Tipo, sério, pode levar embora.

Eles não levam isso numa boa, os médicos. Processos por erro médico são reais e mulheres são apegadas aos seus úteros (o que pra mim é uma lealdade quase cega e delusional, como se ele fosse um péssimo namorado). Pode demorar um pouco para você processar a infertilidade, a raiva. Um médico precisa de provas de que está operando uma pessoa decidida o suficiente para dar o consentimento e jamais retirá-lo. Então, enquanto me dão basicamente heroína hospitalar para aguentar a dor (drogas altamente viciantes obviamente não são uma solução a longo prazo para o meu caso), escrevo um ensaio de mil palavras dizendo como, diante das atuais circunstâncias, tenho certeza que posso lidar com a perda do meu útero antes de fazer 32 anos.

“Sei que uma histerectomia não é a melhor escolha para todo mundo”, escrevo, “que não é uma garantia de que a dor vai desaparecer, e que você está fazendo isso devido à sua crença profunda, fundamental e — a meu ver — feminista de que mulheres devem ter poder de escolha sobre a forma como querem viver sua vida fértil.”

Minha família só quer me ver feliz de novo. Eles estão, pela primeira vez depois de todos os meus dramas, realmente assustados, e meu pai checa minha respiração enquanto eu durmo, bem perto do meu peito. Fraca, me desculpo por eles estarem testemunhando isso — uma pessoa com dor demais para se expressar, que só consegue ser uma preocupação no melhor dos casos e um terror no pior. Meu maravilhoso parceiro, que esteve comigo e lidou com a minha dor com compaixão e cuidado, está viajando a trabalho, e consigo sentir nós dois nos afastando lentamente, uma vez que a vida está tão determinada a mostrar sua enorme complexidade nesse momento. Fico ranzinza e distante. Não ofereço nada. Ele me lembra de novo e de novo que ainda sou uma mulher e que ainda estou viva, mas também sei que logo — por muitas razões que nada tem a ver com meu útero — vamos escapar um do outro e que vou encarar tudo que estou perdendo em pequeníssimos passos.

Minha terapeuta me manda mensagem. Converso com outra terapeuta que a médica recomenda, e ela sugere mais três sessões para encarar qualquer incerteza mais profunda e bem guardada. Enquanto isso eu me contorço de dor e murmuro reflexões como uma personagem de Garota, Interrompida quando residentes aparecem para me ver. Sempre escolho um deles como alvo, só para me manter viva e focada.

“Quantos anos você tem?”, quero saber, “e onde você mora?”. Isso deve ser uma espécie de assédio, mas ele responde que tem 27 anos e isso me enfurece. O que ele sabe sobre a vida? Quando é que foi que ele sentiu esse tipo de dor, [viveu] essa ilusão de escolha? Por que ele sempre me cumprimenta dizendo “boa tarde”, mesmo quando já é claramente noite? Ele é mesquinho com os remédios pra dor e pergunta por que não vou para casa esperar minha cirurgia.

No sexto dia da minha estadia, numa tentativa de dominar a dor sem remover meu útero, um procedimento é feito, dilatação e curetagem (como um aborto, mas sem um feto), mas ele não correu como o esperado e acabei numa ala de recuperação recebendo Pitocin na veia, uma medicação usada para induzir partos. Eles precisavam que meu útero contraísse — mas, de novo, ele não quis colaborar, por razões médicas complexas que não consigo entender, então fiquei basicamente em trabalho de parto durante sete horas, minhas costas rígidas, gemendo como um cara nojento numa partida de tênis. Não deixo de notar que isso é o mais próximo que vou chegar a dar a luz e lá estava eu, com uma enfermeira de Staten Island que se pergunta em voz alta por que eu sempre apareço sem roupa na televisão. Se existe um lado bom nessa ironia é que, ao final de tudo, meus médicos parecem prontos para admitir que meu útero é realmente uma semente do mal. Ele parece normal, alegre e de maria-chiquinhas loiras como uma criança maligna de filme de terror, mas na verdade ele tem raiva, está exausto e não pode ser um lar para alguém.

Na manhã da cirurgia, minha enfermeira favorita (a coadjuvante top model) me acorda às seis da manhã — uma presença familiar agradável, com suas tatuagens de Wayne’s World nos dois pés e o filho que ela teve bem nova porque acredita em correr riscos.

“Tá pronta?”, ela pergunta.

Estou segurando o choro mas ao mesmo tempo fazendo meu próprio show de stand-up enquanto minha família anda atrás da minha maca, rumo à sala de cirurgia. “Ei, alguém aqui quer abrir mão do próprio útero? Ouvi dizer que tem uma promoção 2 por 1 nessa cirurgia. Pai, você vem comigo?”. Quero muito chorar, mas sei que isso não é bem-vindo aqui. Meu choro pode facilmente ser visto como dúvida e acabar com tudo. Estou em luto, mas não tenho dúvida.

Na sala de cirurgia, o adorável anestesista haitiano, Dr. Lallemand, me deixa escolher uma música da Rihanna e eu tento absorver a seriedade do momento — as pelo menos doze pessoas vestidas em trajes cirúrgicos azuis ali presentes, o fato de que eu poderia fugir agora mas estou escolhendo ficar, estou escolhendo tudo isso. Preciso admitir que estou mesmo escolhendo isso — eu abri mão de mais tratamentos. Eu abri mão de mais dor. Eu abri mão de mais incertezas. A medicação entra no fluxo sanguíneo e minha visão fica agradavelmente embaçada. Não vou sentir nada por um tempo.

Acordei rodeada pela minha família e por médicos ansiosos para dizer que eu estava certa. Meu útero é pior do que qualquer um poderia ter imaginado. Ele é como uma 25 de Março para as bolsas Chanel falsificadas, cheio de falhas sutis e gritantes. Além de endometriose, [meu útero] tinha uma protuberância estranha parecida com uma corcunda, um septo que ia até o meio, e ainda tive sangramento retrógrado, também conhecido como a menstruação descendo ao contrário, então meu estômago estava cheio de sangue. Meu ovário se instalou nos músculos em torno dos nervos das costas que nos ajudam a andar. Não quero nem falar do meu revestimento uterino. O único detalhe bonito dessa história é que esse órgão — que deveria ter a forma de uma lâmpada — parece mais um coração. No quarto, sinto dor em lugares inesperados: no ombro, no quadril, no tornozelo.

Já se passaram alguns meses. Apesar de algumas pequenas complicações (bebam bastante água; esse é meu único conselho), estou me recuperando como uma campeã. Agora estou mancando, o que é resultado de um nervo pinçado na pelve, mas seguro isso como ostento as botas Balenciaga que comprei para mim mesma como forma de incentivo. Minha mente, meu espírito, isso é outra história. Porque eu precisei lutar tanto para ter minha dor reconhecida que não tive tempo para sentir medo ou luto. Para me despedir. Eu fiz uma escolha que nunca foi uma escolha para mim, e ainda assim o luto parece um luxo que não posso ter. Eu choro, tenho grandes e estúpidas crises de choro sozinha na banheira ou no espaço em que, seguindo um clichê terrível, comecei a fazer trabalhos manuais.

Muitas amigas estão grávidas ou tentando engravidar. Fiquei com medo de lidar mal com isso. Ficar silenciosamente amarga. Beber muito champanhe nos chás de bebê. Triste tia Lena. Mas eu valorizo cada uma delas. Mal consigo esperar para conhecer seus filhos (e tiro sarro discretamente de qualquer nome de bebê hollywoodiano que eu certamente escolheria se fosse fértil, mas tudo bem). Ultrassons e posts de Instagram não partem meu coração como acontecia quando eu tinha um útero que não funcionava. As crianças que poderiam ser minhas partem meu coração e eu as carrego comigo como uma possibilidade perdida numa caminhada triste e trêmula enquanto recupero meu eixo.

Já senti que não tinha escolha antes, mas sei que tenho escolhas agora. Em breve vou começar a investigar se meus ovários, que permanecem em algum lugar dentro de mim, nesta vasta caverna de órgãos e cicatrizes, ainda tem óvulos. (O cérebro, sem saber que o resto da máquina foi embora, teoricamente segue liberando óvulos todos os meses, óvulos que são lançados e reabsorvidos por essa caverna). A adoração é uma realidade excitante que vou correr atrás com tudo que tenho. Mas eu queria aquela barriga. Queria saber como é viver nove meses em contato total. O emprego foi feito para mim, mas não passei na entrevista. E tá tudo bem. De verdade. Posso não acreditar nisso agora, mas sei que vou em breve. E tudo que vai restar vão ser minha história e minhas cicatrizes, que já estão ralas o suficiente para ser difícil encontrá-las.

ESCRITO POR

Dra. Natalia Ramos Seixas

REVISADO POR

Dra. Natalia Ramos Seixas

A Dra. Natalia Ramos Seixas é a líder médica da Oya Care, especialista em fertilidade e reprodução humana.

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