Cirurgia para endometriose: “Uma mudança de vida”

Depois de muitos exames, idas e vindas em médicos, angústias e incertezas, você finalmente recebe o diagnóstico: você tem endometriose e precisará passar por uma cirurgia. Já ouviu essa história antes?

Sabemos que nem todo caso de endometriose precisa de intervenção cirúrgica, mas a cirurgia pode ser necessária para controlar o avanço da doença e tratar seus sintomas. Se você está passando por isso, que tal conhecer a história de quem já passou por uma cirurgia para endometriose?

A Oya conversou com Beatriz Calil, de 34 anos, que conviveu sete anos com a dor pélvica até receber o diagnóstico de endometriose. A editora de livros passou por uma laparoscopia para tratamento de endometriose profunda e contou com todo o suporte da nossa clínica nessa jornada. A seguir, você confere o relato e aproveita para tirar todas as suas dúvidas. Vamos juntas?

A entrevista foi editada e condensada para fins de objetividade e clareza.

Como você foi diagnosticada com endometriose e quais foram os sintomas que te levaram a procurar tratamento?

Beatriz Calil: Vixe… é uma longuíssima história. Fiquei sete anos tentando descobrir o que eu tinha e meu sintoma principal era uma dor na região pélvica, aguda e constante. Era uma dor que não tinha relação com a menstruação, não mudava de acordo com a fase do ciclo. Isso talvez tenha atrasado meu diagnóstico de endometriose porque eu não tinha sintomas clássicos, como cólicas e fluxo intenso de sangramento, era só essa dor. 

Fui a muitos médicos, fiz muitos exames que hoje vejo que foram absurdos: em seis anos, fiz três colonoscopias. Não achavam nada. No começo do ano passado minha dor piorou muito, minha vida ficou praticamente parada; não conseguia trabalhar, não conseguia fazer nada. Descobri que poderia ser endometriose quando fui pesquisar na internet as causas da dor pélvica.

Algum desses médicos chegou a levantar a hipótese de endometriose?

BC: Nenhum deles cogitou e uma ginecologista até descartou a possibilidade de ser endometriose. Não fiz exame nem nada disso, mas como eu não tinha fluxo intenso ou cólica forte, ela descartou endometriose.

O que eles davam como hipótese diagnóstica para sua dor pélvica?

BC: Um médico falou que provavelmente era uma intolerância alimentar, porque os exames estavam todos normais e a intolerância não aparece em exames. Fiz uma investigação enorme com uma nutricionista especializada, fiz uma dieta para investigar que foi péssima pra mim, fiquei com deficiência em várias vitaminas. Mas não tinha muita hipótese.

Eles sempre perguntavam se eu fazia terapia, se tratava a minha ansiedade. Eu faço terapia desde muito antes da dor aparecer, então sabia que não era ansiedade. Nunca teve hipótese de nada, a conclusão era sempre “você não tem nada, relaxa, vai tratar em terapia”.

Como você se sentiu em todo esse processo?

BC: Eu me sentia péssima. Amigos da família achavam que eu tinha uma hipocondria, porque eu insistia em voltar no médico mesmo com exames negativos. Ganhei fama de hipocondríaca, de frágil, de alguém que está sempre com dor. Era péssimo porque eu sabia que não era psicológico, mas os outros não sabiam.

Hoje, depois de ter o diagnóstico e fazer a cirurgia para endometriose, depois que a Juliana [Sperandio, ginecologista especialista em cirurgias minimamente invasivas e responsável pela cirurgia da Beatriz] confirmou que a endometriose justificava a dor que eu tenho, sinto que tive uma mudança de vida.

Depois do diagnóstico de endometriose, você soube de cara que seu caso era cirúrgico? 

BC: Não. Eu fiz alguns exames com uma médica anterior [à Dra. Juliana Sperandio], mas não fiz o mapeamento adequado. Por isso, a médica anterior concluiu que eu tinha uma endometriose leve e só precisava fazer cirurgia se quisesse engravidar.

Cheguei na Ju com esse cenário, mas ela falou que precisava ter um mapeamento adequado antes. Se fosse mesmo uma endometriose leve, provavelmente a cirurgia não seria necessária. Fiz o mapeamento e ele mostrou um cenário pior, de endometriose moderada, um caso realmente cirúrgico. 

Como você se sentiu ao receber essa notícia?

BC: Não é um diagnóstico legal, [a endometriose] é uma doença crônica que você tem que tratar a vida inteira. Mas eu estava procurando respostas há tanto tempo que ter uma justificativa pra dor que eu sentia foi até bom. Eu gostei de receber a notícia.

Algum fator específico te ajudou a escolher a Dra. Juliana Sperandio, da Oya, para fazer sua cirurgia de endometriose? 

BC: O que motivou minha decisão foi ter confiança. A Dra. Juliana se mostrou muito competente, muito atualizada; ela sabia o que estava fazendo e isso me passou segurança. Eu tinha medo de fazer a cirurgia e prejudicar minha fertilidade, mas ela sempre tratou esse ponto com muita segurança, falou que no meu caso não precisaria congelar óvulos antes. No dia da cirurgia eu não fiquei tensa, com medo, porque sabia que ela tinha experiência. 

Já que falamos da cirurgia para endometriose, você pode contar como foi esse dia, o pré-operatório, a recuperação?

BC: Foi tranquilo, não fiquei tão nervosa. Por causa do meu histórico, eu estava muito decidida. Foi emocionante saber que estava resolvendo algo que eu estava carregando há muito tempo. Fui bem recebida pela Ju e por todos da equipe.

Durante a cirurgia, ela descobriu outros focos da endometriose que não apareceram no exame. Então meu caso não era nem leve, como a outra médica falou, nem moderado, já era uma endometriose profunda. 

Como foi sua recuperação?

BC: Fisicamente foi meio difícil. Eu tive muito enjoo por causa da anestesia. Fiquei com o corpo bem baqueado, mas tive alta no dia seguinte. Foi dolorido, mas a Juliana também tinha me preparado para isso, para o que eu poderia esperar. Não foi uma surpresa, não fiquei pior do que eu achei que fosse ficar. 

Como foi o suporte da Dra. Juliana Sperandio e da equipe da Oya nesse processo? Alguma coisa se destacou? 

BC: Topei fazer essa entrevista e falar desse dia porque foi tudo muito bom com a Oya. Desde a comunicação, até a relação dentro e fora da consulta. Por exemplo, a Ju fez uma consulta pré-operatória comigo para explicar tudo sobre a cirurgia para endometriose. Achei isso muito bom porque te prepara, já que você não sabe o que vai acontecer.

No pós-cirúrgico ela também esteve presente, se colocou à disposição e disse que eu poderia falar com ela se precisasse de alguma coisa. Nem cheguei a procurá-la, mas mesmo assim ela me escreveu, se fez presente. A equipe da Oya também me deu bastante apoio para resolver as burocracias do convênio. Foi super burocrático, cheio de idas e vindas para liberar a autorização, e tudo que eu pedia, as meninas faziam, sempre me respondiam rápido. 

Quanto tempo se passou entre bater o martelo sobre seu diagnóstico de endometriose e a cirurgia em si?

BC: Minha primeira consulta foi em outubro e a cirurgia foi no início de janeiro. Para alguém como eu, que estava investigando há sete anos, foi tudo muito rápido. Para você ter uma ideia, com a outra médica eu fiquei de janeiro a outubro do ano passado numa enrolação, não conseguia fazer nada. 

Alguma coisa foi diferente do que você imaginava, seja para o melhor ou para o pior?

BC: Descobrir que eu tinha mais focos de endometriose do que a gente imaginava. Foi um susto mas, ao mesmo tempo, fiquei sabendo que meu caso era pior depois que já estava tudo resolvido. 

Como você está hoje?

BC: Foi um alívio ter feito a cirurgia, mas a dor pélvica vinha de uma síndrome miofascial, é uma dor muscular. A Ju me explicou isso antes da cirurgia e disse que eu não podia me iludir. Fiz a cirurgia em janeiro e ainda sinto um pouco de dor. 

Fiquei grata pela Juliana ter me preparado pra isso também. Minha vida não mudou muito desde a cirurgia, eu ainda tô com dor, ainda estou tratando a dor. O que mudou foi a perspectiva de que agora eu sei o que é, sei que ela [cirurgia] tirou a endometriose, a perspectiva de melhora agora é muito mais palpável.  

Queria saber quais estratégias você teve para enfrentar esse processo, o que que te ajudou a seguir em frente?

BC: Foi muito difícil mesmo, toda dor é muito solitária, ninguém sabe o tanto de dor que você sente. Mas foi solitária também porque até as pessoas mais próximas de mim não acreditavam na dor, achavam que era psicológico. Muitas vezes eu nem falava que  estava com dor, só pra não ouvir aquele “lá vem ela de novo falando de uma dor que não existe”. 

Foi muito eu comigo mesma, que decidi insistir, não desistir. Não vou te dizer que fui uma guerreira nesses sete anos. Em alguns momentos eu mesma achei que fosse psicológico. Também tive momentos que a dor não estava tão ruim e aí eu aproveitava para seguir minha vida sem pensar muito nisso. Mas quando piorava, eu tinha que voltar a pensar. É difícil dizer que foi uma estratégia, acho que fui me arrastando mesmo. 

Você tem algum conselho ou insight para compartilhar com pessoas que estão passando pela mesma situação que você? Tem alguma coisa que você sente que se aprendeu dessa experiência, que você gostaria que outras pessoas com endometriose soubessem?

BC: Acredite na dor que você está sentindo, por mais que o mundo te diga que não é nada. Se você tem uma dor, vai investigar, procure alguém que olhe pra você de verdade. O que me faltou nesse tempo todo foi achar o médico certo, que acreditasse que eu tinha dor. 

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