Métodos contraceptivos naturais: quais são? Como escolher?

Na hora de escolher um método contraceptivo, há quem prefira os mais naturais. Ou seja: essas pessoas não só evitam os hormônios, mas também preferem não lidar com nenhum tipo de intervenção na hora de prevenir uma gravidez. No entanto, a escolha desse tipo de proteção pode ser um pouco mais difícil.

Isso acontece porque os métodos contraceptivos naturais dependem, em geral, de um conhecimento aprofundado sobre o funcionamento do nosso corpo. Seja o ciclo menstrual, a temperatura média ou o tipo de corrimento, nós precisamos nos apoiar em características menos fixas para evitar uma gravidez indesejada. 

Ainda assim, a Oya Care acredita que cada corpo é único, e cada decisão deve ser baseada em necessidades e vontades pessoais. Por isso, neste conteúdo, nós te ajudamos a entender melhor quais são os métodos contraceptivos naturais, quais as suas vantagens e desvantagens e como saber qual é o melhor pra você. Vamos juntas?

Quais são os métodos contraceptivos naturais?

Abaixo, nós separamos os principais métodos contraceptivos naturais e explicamos um pouco mais sobre cada um deles, indicando vantagens e desvantagens, nível de eficácia e contra indicações, quando há. Tudo com base na ciência! Para saber mais, continue lendo ou clique em um dos links abaixo:

  • Tabelinha;
  • Coito interrompido;
  • Sexo sem penetração vaginal;
  • Autoconhecimento.

Tabelinha

O método da tabelinha se baseia na duração e fases do ciclo menstrual. Nele, o sexo com penetração vaginal desprotegido é evitado do primeiro ao último dia fértil. No entanto, essas datas são estimadas, podendo haver algum erro de cálculo que leva a uma gravidez indesejada.

A eficácia como contraceptivo é de até 85% para o uso típico, ou seja, aquele que está sujeito a variações dos ciclos menstruais, erros de cálculo e ao sentimento de que atrasar ou adiantar o início da tabelinha em um dia “não faz mal”. 

Para quem faz o uso perfeito (ou seja, os ciclos são sempre regulares e de duração conhecida, os cálculos são sempre corretos e o casal segue o método à risca), não há dados disponíveis sobre a eficácia. O que é compreensível, já que o nosso corpo nem sempre funciona como um reloginho.

VantagensDesvantagens
Livre de hormônios e de qualquer substância;Depende de ciclos menstruais regulares, com duração conhecida;
Está sujeito a erros de cálculo dos dias férteis estimados.

Vale lembrar, ainda, que o espermatozoide pode viver até 72h no útero e nas trompas uterinas. Por isso, mesmo para quem segue o método à risca, as relações feitas antes do primeiro dia fértil estimado têm risco de resultar em uma gravidez.

Coito interrompido

O coito interrompido é o nome da famosa prática de tirar o pênis da vagina antes que a ejaculação aconteça. Assim, evita-se que a maioria dos espermatozoides caiam no útero. 

Espera aí: como assim, “a maioria”? Pois é: o líquido pré-ejaculatório, aquele que lubrifica o pênis, também pode conter espermatozoides viáveis. Por isso, mesmo com a retirada do pênis, ainda é possível que a prática do coito interrompido leve a uma gravidez indesejada.

Não à toa a eficácia do método é de apenas 80% para o uso típico, ou seja, aquele em o pênis é removido já durante a ejaculação, ou em que não dá tempo de fazer esse movimento. Para o uso perfeito (quando o pênis é removido antes da ejaculação em todas as relações), a eficácia é de 98%.

Outro ponto de alerta relevante é que o coito interrompido depende totalmente da ação da pessoa com quem você está, diminuindo a sua autonomia na hora de se proteger. Por isso, é necessário construir uma relação com bastante confiança, com uma pessoa que conhece bem os sinais do próprio corpo e está tão comprometida quanto você a evitar a gravidez indesejada.

VantagensDesvantagens
Livre de hormônios e de qualquer substância;Depende do autoconhecimento, autocontrole e comprometimento da outra pessoa;
O líquido pré-ejaculatório contém espermatozoides, então sempre há risco de gravidez;
Não protege contra ISTs.

Sexo sem penetração vaginal

Quando falamos sobre sexo, a penetração vaginal não precisa estar sempre envolvida. E é basicamente nisso que consiste este método contraceptivo: na relação em que não há contato entre o pênis e a vagina (embora possa haver contato com a vulva!).

A matemática é simples: sem ejaculação na vagina, não existe nenhuma possibilidade de gravidez. Mas atenção: para que a eficácia seja de 100%, não pode haver nenhum tipo de contato entre a secreção do pênis com a vagina, seja por meio do próprio pênis, de mãos ou de brinquedos.

Mesmo sem penetração, deve haver cuidado e atenção, em especial após a ejaculação. 

VantagensDesvantagens
Livre de hormônios e de qualquer substância;Depende do autocontrole do casal;
Pode estimular as pessoas envolvidas a experimentar novas formas de apimentar a relação.Não protege contra ISTs.

Autoconhecimento

Conhecer o próprio corpo e a própria fertilidade também é uma maneira de evitar uma gravidez indesejada. E existem alguns métodos contraceptivos que se baseiam justamente nisso, em especial na identificação do período fértil, quando as relações desprotegidas devem ser evitadas

O mais indicado é usar uma combinação de duas ou mais dessas metodologias, aumentando a assertividade da sua avaliação. Antes de confiar totalmente na sua percepção do ciclo, é importante ter um “banco de dados” de mais ou menos seis meses, para que você conheça os padrões do seu corpo e possa entender como ele se comporta e o que pode afetar o ciclo.

1. Método de dias padrão

Propõe que, durante os dias mais férteis do ciclo menstrual, não haja sexo vaginal desprotegido. Para ciclos de 26 a 32 dias, seriam o 8º e o 19º dias. A eficácia pode ir de 95% (uso perfeito) a 88% (uso típico).

2. Temperatura corporal basal

Durante a ovulação, a nossa temperatura corporal média em repouso aumenta em até 0,3ºC, e permanece mais alta até a menstruação. Os dias mais férteis são os 2 ou 3 dias anteriores a esse aumento. Não tende a ser um bom método contraceptivo, porque a ovulação já aconteceu quando há o aumento da temperatura, mas não existem dados sobre a sua eficácia.

3. Muco cervical

Logo antes da ovulação, o nosso muco cervical (aquele corrimento natural) muda e se torna mais fino e pegajoso, além da sua quantidade aumentar. Depois desse período, ele diminui e engrossa. Desse modo, este método propõe evitar o sexo desprotegido quando houver secreção que indique ovulação. A eficácia como contraceptivo é de 77% (uso típico).

4. Método dos dois dias

É uma variação do método do muco cervical. Neste, a pessoa deve avaliar o muco cervical duas vezes ao dia e se questionar: (1) se ela notou alguma secreção hoje; (2) se ela notou qualquer secreção no dia anterior. A eficácia pode variar entre 96% (uso perfeito) e 86% (uso típico).

5. Método sintotérmico

Combina os métodos de temperatura basal e muco cervical. A eficácia pode variar entre 98% (uso típico) e 99% (uso perfeito).

Nesses casos, o uso perfeito diz respeito a um conhecimento pleno do ciclo menstrual e de suas respostas fisiológicas. Para que ele aconteça, você precisa estar atenta  às mínimas mudanças, todos os dias, e o seu ciclo deve ser completamente regular. O uso típico, por outro lado, acontece quando essa atenção não é plena ou quando há irregularidade no ciclo.

Vale pontuar, ainda, que é preciso evitar qualquer relação com penetração vaginal nos dias férteis, ou adotar outro método contraceptivo, como a camisinha. E mais: as evidências científicas sobre esses métodos ainda são limitadas.

VantagensDesvantagens
Livre de hormônios e de qualquer substância;Depende de tempo e dedicação, e pode ser difícil para algumas pessoas;
O autoconhecimento pode melhorar a qualidade de vida.É necessária orientação correta e pleno conhecimento do método selecionado;
Não protege contra ISTs;
É necessário um ciclo menstrual regular;
Não há muitas evidências científicas sobre a sua eficácia.

E a amamentação, também é um método contraceptivo?

Na verdade, não. 

A amamentação costuma ser considerada um método contraceptivo natural e temporário, já que até 40% das mulheres não ovulam (e, consequentemente, também não menstruam) até seis meses após a gravidez. 

Isso acontece porque, durante a amamentação, a mulher libera a prolactina, um hormônio que estimula a produção de leite materno. Outro efeito da prolactina, porém, é inibir o GnRH, responsável por estimular a produção dos hormônios folículo estimulante (FSH) e luteinizante (LH), que regulam a menstruação e a maturação dos óvulos. Ou seja: enquanto a amamentação acontece e o GnRH é inibido, a ovulação fica “pausada”

No entanto, essa inibição do GnRH só acontece quando o aleitamento materno é a única fonte de alimentação do bebê e acontece num intervalo bem específico e curto, de algumas horas. Afinal, é o movimento de sucção o responsável pela liberação de prolactina. Soma-se a isso o fato de que, para mães que bombeiam o leite, o método também deixa de ser eficaz

Por isso mesmo, a amamentação até pode ajudar a evitar uma gravidez, mas deve ser combinada com outro método contraceptivo para ser segura de verdade. Vale lembrar que você pode tomar anticoncepcional amamentando, se quiser. Basta conversar com a sua ginecologista e encontrar aquele que funciona melhor pro seu caso.

Os métodos contraceptivos naturais têm desvantagens?

Sim. Afinal, nenhum método contraceptivo é perfeito e vai funcionar para todas as pessoas. Cada corpo é único, e é justamente por isso que o ideal é entender qual método é indicado para o seu caso e para a sua rotina. 

Uma das principais desvantagens dos métodos contraceptivos naturais está a sua baixa eficácia e, consequentemente, as maiores chances de uma gravidez indesejada. Mesmo que algumas opções ofereçam altas chances de sucesso quando há um uso perfeito (ou seja, sem falhas), como é o caso do sexo sem penetração vaginal, ainda é preciso levar em consideração que o nosso corpo não é um relógio e nós não somos sempre perfeitas.

Isso significa que alguns eventos externos — como um dia mais estressante no trabalho, situações que geram ansiedade ou mesmo doenças ginecológicas, como a infecção urinária — podem influenciar no ciclo menstrual, no tipo de muco cervical, na temperatura do corpo e até no nosso autocontrole.

Além disso, é muito importante manter em mente que os métodos contraceptivos naturais não nos protegem contra infecções sexualmente transmissíveis. Daí a maior necessidade de garantir que você se relaciona com pessoas livres de qualquer IST.

Como saber qual método contraceptivo natural é o ideal para mim?

Definir um método contraceptivo nunca é fácil e, quando falamos de opções mais naturais, saber qual delas vai se adequar à nossa rotina pode ser ainda mais complicado. Por isso, vale a pena entender mais profundamente:

  1. Como é a sua rotina e qual seria o anticoncepcional ideal pra ela;
  2. Quais são os seus hábitos quando o assunto é a vida sexual;
  3. Como funciona o seu ciclo menstrual e quais situações do dia a dia costumam interferir nele.

Nesse processo, contar com a ajuda de uma ginecologista pode fazer toda a diferença. Por isso, a Oya Care construiu a Jornada da Contracepção.

Com ela, você conversa com uma equipe médica especializada e acolhedora, que te auxilia na hora de encontrar o método contraceptivo perfeito pra você. Sem julgamentos e sem respostas prontas — tudo adequado pra sua realidade e rotina. Vamos juntas!

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