Como não engravidar nunca? Conheça métodos contraceptivos definitivos!

O número de pessoas que não desejam engravidar nunca vem aumentando no Brasil: um estudo recente da Bayer mostrou que 37% das mulheres não querem ser mães, e os motivos são vários. Assim, diante desse novo cenário, é importante discutir as opções de métodos contraceptivos definitivos, que atendam a essas mulheres e suas necessidades. Mas quais são eles?

Neste conteúdo, a Oya te mostra quais são as suas opções, caso você já saiba que não quer engravidar. Além disso, caso você ainda não tenha 100% de certeza, tudo bem: a gente te indica métodos contraceptivos de longo prazo também. Vamos juntas?

Não quero engravidar nunca. Quais são as minhas opções?

Se você já tem certeza de que não quer engravidar nunca, pode optar por um processo de esterilização. Eles são conhecidos pela altíssima eficácia (em geral, maiores que 99%) e pelo seu caráter definitivo.

Abaixo, a gente te conta mais detalhes sobre cada um deles. Mas lembre-se: ter apoio psicológico é fundamental antes de optar por um procedimento como esses.

Laqueadura

A laqueadura tubária (também conhecida como “ligamento das trompas”) é responsável por remover ou fechar permanentemente as tubas uterinas, aqueles tubinhos que ligam o útero ao ovário. A partir dela, os espermatozoides já não conseguem entrar em contato com o óvulo.

A efetividade como método contraceptivo é maior do que 99%, e a produção de óvulos continua acontecendo normalmente, assim como as fases do ciclo menstrual. A diferença é que esse óvulo não sai pela menstruação, sendo reabsorvido pelo organismo.

A cirurgia pode ser aberta (feita com um corte no abdômen) ou por vídeo, e também pode ser feita durante a cesariana. A mudança recente na legislação brasileira também garante mais autonomia para quem deseja passar pelo processo, já que não é mais necessária a autorização do parceiro. 

VantagensDesvantagens
Não existem contraindicações médicas;Risco de arrependimento;
Maior autonomia para a mulher;A religação das tubas uterinas é um procedimento caro e, em geral, não pode ser feito;
Não afeta a reserva ovariana;Não protege contra ISTs.
Não afeta a libido;
Pode ser feita no período do parto (ou não!).

Vale lembrar que ainda é possível engravidar, mesmo depois da laqueadura. Para isso, a mulher pode passar por uma fertilização in vitro — um procedimento mais caro, mas ainda viável. Além disso, pode haver alterações no ciclo menstrual, como o aumento ou a diminuição do fluxo.

Vasectomia

A vasectomia é um procedimento realizado em pessoas com órgãos genitais masculinos. Ela consiste na obstrução ou interrupção dos ductos deferentes — aqueles caninhos que transportam o esperma. É um procedimento rápido (cerca de 30 minutos) e pode ser feito em um consultório, ou seja, não há necessidade de cirurgia.

A efetividade como método contraceptivo é maior que 99%, mas ainda é recomendado o uso de outros métodos contraceptivos (como a camisinha!) por pelo menos 3 meses após o procedimento. Depois desse período, é feito um exame para avaliar a presença de sêmen no líquido seminal, garantindo a esterilidade.

Além disso, há a chance de recanalização após 2 anos da cirurgia, sendo necessário um novo procedimento.

Em casos de arrependimento, a vasectomia pode ser revertida por um procedimento chamado vaso-vasostomia. Essa microcirurgia liga as pontas do ducto deferente. No entanto, se a cirurgia de reversão acontece muito tempo depois da vasectomia original, as chances de gravidez costumam diminuir.

VantagensDesvantagens
Não interfere com a ereção ou com a ejaculação;Risco de arrepender-se após o procedimento;
Procedimento rápido e com anestesia local;Não protege contra ISTs;
Pode ser revertida.Esterilidade não é imediata;
Pode recanalizar após 2 anos.

Histerectomia

A histerectomia é a retirada do útero. Em geral, é usada como tratamento para doenças graves (sangramentos anormais, câncer, endometriose profunda, prolapso uterino — ou seja, quando o útero sai pela vagina etc.), e não como método contraceptivo definitivo. 

A efetividade como contraceptivo é de 100%, e a cirurgia pode ser feita de quatro formas: via vaginal (quando o útero é retirado pela vagina), aberta (através de um corte no abdome), por vídeo ou por cirurgia robótica. Em alguns casos, a histerectomia também pode incluir a retirada das tubas uterinas e os ovários.

No entanto, não costuma haver impactos negativos na vida sexual, e, no caso de indicação para tratamento de doença, há melhora nos sintomas. O maior efeito negativo da histerectomia costuma ser psicológico.

VantagensDesvantagens
Tratamento dos sintomas para uma doença grave.Chances de impactos emocionais profundos;
Em caso de arrependimento, não há possibilidade de reversão.

Vale pontuar que a histerectomia impede totalmente uma gravidez futura, mesmo a partir de métodos de reprodução assistida, como a fertilização in vitro. No caso de mulheres que também tiram ovários, a maternidade de substituição (conhecida como “barriga solidária”) também é inviabilizada, já que são eles que armazenam a reserva ovariana. Nesses casos, é possível recorrer a um congelamento de óvulos prévio.

Ainda assim, a histerectomia é o método mais efetivo entre os contraceptivos definitivos.

Além disso, esta não é uma cirurgia simples, então pode contar com várias complicações: adiantamento da menopausa, diminuição da atividade ovariana (em alguns casos, é necessária a reposição hormonal), aumento das chances de problemas cardíacos, incontinência urinária e muitas outras. 

Quais são os requisitos para adotar um método contraceptivo definitivo?

Para quem não quer engravidar nunca e deseja se submeter a um procedimento de esterilização, as leis mudaram. Em 2022, foi aprovada a Lei nº 14.443/2022, que entrou em vigor em 2023 e flexibilizou muito os requisitos para realizar esse tipo de cirurgia.

Isso porque ela altera as predisposições da Lei nº 9.263, de 12 de janeiro de 1996, que regulamentava o planejamento familiar no Brasil, ou seja, as técnicas de reprodução ou de esterilização científicas. As mudanças foram:

  • Idade: Hoje, a idade mínima é de 21 anos, a menos que a pessoa já tenha dois filhos vivos (nesse caso, não há requisito de idade);
  • Aprovação do cônjuge: Deixa de ser necessária, conferindo mais autonomia para as mulheres;
  • Realização no período do parto: Passa a ser permitida, desde que haja um período mínimo de 60 dias entre a manifestação da vontade e o parto em si.

Não tenho certeza se não quero engravidar nunca. E agora?

Se você acha que não quer engravidar nunca, mas ainda não tem certeza, não precisa se preocupar: esta é uma decisão muito grande e muito definitiva, e é normal ter dúvidas. Enquanto você continua pensando, que tal explorar outras opções?

Em vez de partir direto para um método contraceptivo definitivo, você pode investigar métodos de longa duração. Olha só:

  • Contraceptivos hormonais de longa duração: seja o DIU hormonal, seja o Implanon, você continua tendo mais controle sobre a sua menstruação e menos chances de engravidar.
  • Contraceptivos de barreira de longa duração: o DIU de cobre ou prata funciona como uma verdadeira barreira de proteção, e têm duração média de 10 e 5 anos, respectivamente.

Para entender qual é o melhor método contraceptivo de longa duração para a sua realidade, você também pode contar com a Jornada da Contracepção, da Oya. 

Nela, você recebe uma cartilha com informações sobre os diferentes métodos de contracepção (hormonais ou não!) e faz uma consulta com ginecologista para tirar todas as suas dúvidas. Ao lado de uma equipe especializada, você descobre o melhor método para a sua rotina e estilo de vida, sem respostas prontas e sem julgamentos.

Depois, você ainda tem acompanhamento da equipe de cuidados da Oya via WhatsApp, e pode agendar uma consulta de retorno em 3 meses, para conversar sobre quaisquer efeitos do novo método. Bacana, né? Vamos juntas!

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