Produção independente: quando o plano B se torna o plano A

Meu sonho sempre foi ter uma família bem normalzinha: marido, filho 1 e filho 2, comigo de preferência na faixa dos 30 e poucos anos. Por muito tempo o projeto de fazer uma produção independente era um plano muito B.

Aos 35 anos congelei meus óvulos sem intenção nenhuma de ser uma mãe independente, mas o tempo passa rápido, e, prestes a fazer 40 anos, chegou um ponto em que o aperto no coração por não ser mãe foi ficando cada vez mais forte. 

Eu precisava fazer alguma coisa com esta vontade de ser mãe. Era ter um filho sozinha ou passar o resto da vida frustrada por não ter tido a experiência de ser mãe biológica nesta vida. Movida por este sentimento, decidi tentar realizar o meu sonho.

Produção independente: fim de um sonho, início de outro

A decisão de ter um filho sozinha vem junto com fim de um sonho de conto de fadas: o príncipe não chegou a tempo. Mas a vida nem sempre é do jeito que a gente planeja e tudo bem — pode ser que, de outros modos além dos que a gente idealizou, a gente realize nossos sonhos.

Sair do lugar de vítima e de espera, sem ainda nem saber se este projeto daria certo, já me trouxe uma alegria, uma paz, e a certeza que estava tomando a decisão certa, apesar de todos os medos envolvidos.

E por falar em medos…

A escolha de ter um filho sozinha é polêmica, uma decisão que pode gerar muitas opiniões divididas e palpites até daquelas pessoas que te amam muito. São muitas emoções e expectativas a serem administradas, e foi por isso que optei por não envolver meus pais no processo, mas tinha certeza de que teria o apoio da minha família.

Por um bom tempo, também tive medo dos que os outros iriam pensar e de como eu seria julgada. Não sei exatamente em qual parte do processo fui iluminada, mas cheguei à conclusão de que eu não me importo o que os outros pensam. E isto é tão libertador: ter coragem de fazer as escolhas que façam sentido para mim; afinal, mulheres vão ser julgadas sempre, por qualquer motivo.

Escolhi bancar o meu sonho, independentemente do que as pessoas em volta iriam pensar, porque a vida é uma só e é agora.

“Amor não traumatiza”

Por muito tempo também me questionei se estaria sendo egoísta ao optar por colocar uma pessoa no mundo consciente de que esta pessoa não terá um pai. Muito do meu questionamento vem do fato de que eu tenho um super pai, que foi presente e é presente em todos os momentos da minha vida.

A resposta que acalmou meu coração foi a seguinte: essa criança vai nascer com a referência de ter só uma mãe, vai saber que o mundo mudou e que a “família tradicional” não é mais regra. Quanto às referências masculinas, meu filho pode encontrá-las em pessoas próximas.

Se ele vai sofrer bullying por ser uma produção independente? Provavelmente sim, em algum momento, como todos nós sofremos por um ou outro motivo. Mas o mais importante de tudo é esta criança vai ser muito amada. Meu terapeuta me falou uma frase que me marcou: amor não traumatiza.

Produção independente dá certo?

Depois de ler essa história, você deve estar pensando: mas e aí, deu certo? Sim, deu muito certo! 

Não gosto de ser uma incentivadora da maternidade independente porque é uma decisão muito pessoal e que envolve estar bem emocionalmente, financeiramente, além de ser muito importante poder contar com apoio das pessoas em volta. Foi um processo longo que começou em julho de 2022 e exatamente hoje o Bernardo faz 3 meses. Todos os dias eu agradeço por ter tido coragem de tomar a melhor decisão da minha vida.

Sobre a autora

Carolina Slemer, 40 anos, adora assuntos relacionados ao universo feminino e ao empoderamento de mulheres. Recentemente optou por ser mãe independente do Bernardo.

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